O quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel foi marcado por um momento de tensão no plenário do II Tribunal do Júri da Capital. A juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu a sessão ao suspeitar que uma advogada observava as anotações feitas pelos jurados.
De acordo com relatos no plenário, a mulher estava sentada em uma bancada com visão para o Conselho de Sentença e teria olhado para os apontamentos dos jurados durante os depoimentos. Ao perceber a situação, a magistrada interrompeu a sessão e advertiu a advogada.
— Na próxima vez que eu pegar a senhora olhando as anotações do júri, vou retirar a senhora daqui — afirmou a juíza Elisabeth Machado Louro.
Após o episódio, a mulher foi convidada a deixar o plenário. Do lado de fora, ela se identificou como advogada e negou ter tentado ler qualquer anotação dos jurados. Segundo ela, houve um mal-entendido por parte da magistrada.
— Eu olhei para baixo. A doutora achou que eu estivesse olhando, mas eu jamais faria isso. Eu honro a minha classe e a classe de todos os advogados — afirmou.
A mulher disse ainda que acompanhava a sessão a convite de um amigo promotor e negou qualquer vínculo com as partes do processo.
— Eu vim só acompanhar. Não tenho interesse em nenhuma das partes — disse a mulher.
A advogada também afirmou ter se sentido humilhada pela forma como foi abordada pela magistrada.
— Acho que a juíza se equivocou e me humilhou exageradamente. Isso eu não merecia — disse a advogada.
Segundo ela, estava no tribunal para acompanhar o funcionamento do júri e adquirir experiência profissional após obter recentemente a carteira da OAB.



