STJ anula condenação de Adriana Villela no caso 'Crime da 113 Sul'
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) começa a julgar nesta quinta-feira (18), em sessão virtual, os recursos contra a decisão que anulou a condenação de Adriana Villela no caso conhecido como o 'Crime da 113 Sul'. A anulação foi definida em setembro de 2025 pela Sexta Turma do STJ. Por 3 votos a 2, os ministros acolheram a alegação de que houve cerceamento de defesa ao longo das investigações e do júri popular. O caso foi, então, devolvido à primeira instância.
O Ministério Público do Distrito Federal recorre desse entendimento da Sexta Turma – e pede que a condenação de Adriana como mandante do assassinato dos pais e da empregada da família seja restaurada. Os embargos de declaração serão julgados em sessão virtual da Sexta Turma, formada por cinco ministros. Se não houver pedidos de adiamento, a análise vai até o próximo dia 24.
Segundo o MP, os recursos apontam 'omissões, contradições e obscuridades' na decisão; pedem que a condenação do Tribunal do Júri seja revalidada; e sugerem que Adriana Villela passe a cumprir imediatamente a pena de 61 anos de prisão. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou no STJ de forma favorável aos recursos apresentados pelo MP.
Condenação anulada
A condenação de Adriana Villela foi anulada sob o argumento de que a arquiteta, filha do casal Villela, não pôde exercer seu pleno direito de defesa durante o júri popular. Segundo o processo, os vídeos dos depoimentos dos executores do crime só foram disponibilizados aos advogados de Adriana somente no sétimo dia de julgamento, em 29 de setembro de 2019. Os vídeos desses depoimentos foram exibidos em primeira mão no documentário 'Crime da 113 Sul', lançado pelo Globoplay em 2025.
Com a decisão, Adriana voltou a ser ré pelos crimes, mas as provas e os depoimentos colhidos desde 2010 foram anulados.
Entenda o caso
Em 2009, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, quadra nobre de Brasília, foram assassinados: o pai de Adriana Villela, José Guilherme Villela, de 73 anos e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 38 facadas; a mãe de Adriana, Maria Carvalho Mendes Villela, de 69 anos e advogada, com 12 facadas; e a empregada doméstica da família, Francisca Nascimento da Silva, de 58 anos, com 23 facadas. Os corpos foram achados, já em estado de decomposição, em 31 de agosto de 2009, na Asa Sul.
A perícia demonstrou que as vítimas foram assassinadas em 28 de agosto de 2009, por volta das 19h15. Adriana Villela é acusada de ser a mandante do crime. Com a decisão do STJ, de anular a condenação, Adriana voltou a ser ré.



