O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, converteu a prisão preventiva do pastor Márcio Poncio em prisão domiciliar, impondo medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica. A decisão foi tomada após a prisão de Poncio na quinta-feira (2) pela Polícia Federal (PF), durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne.
Investigação aponta esquema com jogo do bicho e Máfia do Cigarro
Além de Poncio, foram alvos de mandados de prisão o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam detidos. A investigação apura um esquema de pagamentos do jogo do bicho e da chamada "Máfia do Cigarro" a agentes públicos. De acordo com a Polícia Federal, esta fase busca aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possíveis ramificações junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Medidas cautelares impostas por Moraes
Além do monitoramento eletrônico, Moraes proibiu o pastor de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e de utilizar redes sociais. A decisão também determina a suspensão imediata de eventuais documentos de porte de arma de fogo em seu nome e a entrega dos passaportes. Na ocasião da prisão, agentes da PF localizaram Poncio em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Quem é Márcio Poncio
Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ex-integrante da dupla UM44K. Segundo apuração do g1, Poncio é investigado por suspeita de ligação com a "Máfia do Cigarro". Já Adilsinho, apontado como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado, é investigado como chefe da organização criminosa.
Sequestro de bens e valores
Além das prisões, Alexandre de Moraes determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A operação integra as investigações determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a apuração da atuação de grupos criminosos violentos no estado e de suas conexões com agentes públicos.



