O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (4) a abertura de um terceiro inquérito contra Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão atende a pedido da Polícia Federal (PF) e amplia as investigações que já somam três procedimentos autorizados em menos de uma semana.
Novo inquérito mira grupo suspeito de negócios ilícitos
Segundo a PF, o novo procedimento tem como foco apurar a atuação de um grupo de pessoas suspeito de manter negócios ilícitos relacionados a órgãos da administração federal. A autorização de Flávio Dino ocorre após outras duas autorizações, ambas do ministro André Mendonça, nos dias 30 e 31 de julho.
As investigações têm objetos distintos, mas todas surgiram a partir de elementos reunidos durante a Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. Os investigadores ressaltam que os novos procedimentos não tratam diretamente das irregularidades previdenciárias, mas buscam verificar se Lulinha teria atuado em favor de empresários e lobistas interessados em negócios com o governo federal.
Pressão política em meio à campanha eleitoral
A sequência de inquéritos aumenta a pressão política sobre o entorno do presidente justamente no início da campanha eleitoral. As apurações podem ter impacto nas pesquisas de opinião, que serão divulgadas nesta quarta-feira (5), as primeiras após as convenções partidárias.
Até o momento, as três investigações estão em fase inicial. Não há denúncia apresentada pelo Ministério Público nem julgamento sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.
Primeiro inquérito: tráfico de influência no Ministério da Saúde
O primeiro inquérito foi autorizado em 30 de julho pelo ministro André Mendonça. A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao Ministério da Saúde. Segundo a PF, há indícios de que Lulinha teria favorecido interesses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em tratativas envolvendo a pasta.
Segundo inquérito: contratos com Dataprev e outros órgãos
No dia seguinte, 31 de julho, Mendonça autorizou uma segunda investigação. Nesse caso, a PF busca esclarecer se o filho do presidente atuou para beneficiar empresários interessados em contratos com a Dataprev e outros órgãos federais. Esse procedimento apura, além de tráfico de influência e corrupção, possíveis crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Terceiro inquérito: escopo mais amplo
Agora, com a decisão de Flávio Dino, um terceiro inquérito passa a tramitar no Supremo. A investigação tem escopo mais amplo e mira a suposta atuação de um grupo em negociações consideradas ilícitas junto ao governo federal.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a abertura de múltiplos inquéritos em curto espaço de tempo é incomum e pode indicar aprofundamento das investigações. No entanto, ressaltam que a mera autorização não implica culpa, e que os investigados terão direito à ampla defesa.
Procurada, a defesa de Lulinha não se manifestou até a publicação desta matéria. O Palácio do Planalto também não comentou o assunto.



