STF analisa recurso da PGR sobre fim da aposentadoria compulsória de juízes
STF analisa recurso da PGR sobre aposentadoria compulsória

STF analisa recurso da PGR sobre fim da aposentadoria compulsória de juízes

O Supremo Tribunal Federal (STF) está analisando um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a decisão que extinguiu a aposentadoria compulsória como pena para magistrados que cometeram infrações graves. A PGR argumenta que a decisão criou uma nova hipótese de perda do cargo sem previsão na Lei Orgânica da Magistratura (Loman).

De acordo com a PGR, a extinção da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar teria gerado um vácuo normativo, pois a Loman não prevê outra forma de punição para infrações graves que não seja a aposentadoria compulsória ou a demissão. A PGR defende que tais casos não deveriam ser julgados pelo STF, mas sim pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Contexto da decisão

A decisão questionada foi tomada pelo STF em 2025, quando o plenário entendeu que a aposentadoria compulsória violava o princípio da proporcionalidade, por ser uma sanção que, na prática, beneficia o magistrado com a manutenção dos vencimentos integrais. O STF determinou que, em casos de infrações graves, a punição deveria ser a perda do cargo, mas sem especificar o procedimento.

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O CNJ já iniciou estudos para regulamentar a substituição da aposentadoria compulsória pela "disponibilidade", que consiste no afastamento do cargo com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A proposta visa preencher a lacuna deixada pela decisão do STF e garantir que haja uma sanção adequada para magistrados que cometem faltas graves.

Argumentos da PGR

No recurso, a PGR sustenta que a decisão do STF criou uma hipótese de perda de cargo não prevista em lei, o que viola o princípio da legalidade. "A Loman é clara ao estabelecer as hipóteses de perda do cargo de magistrado. A decisão do STF, ao extinguir a aposentadoria compulsória, criou uma nova modalidade de sanção sem respaldo legal", afirma a PGR no documento.

A PGR também questiona a competência do STF para julgar o caso, argumentando que a matéria deveria ser tratada pelo CNJ, que é o órgão responsável pelo controle disciplinar do Judiciário. "O STF não pode substituir o legislador e criar novas sanções disciplinares. Isso cabe ao CNJ, dentro de sua competência regulamentar", acrescenta a PGR.

Impactos da decisão

Se mantida a extinção da aposentadoria compulsória, o Judiciário precisará de uma regulamentação urgente para punir magistrados que cometem infrações graves. Atualmente, sem a aposentadoria compulsória, a única sanção prevista é a demissão, que é considerada excessiva para alguns casos. O CNJ estuda a disponibilidade como alternativa, mas a medida ainda depende de aprovação do plenário do conselho.

O STF ainda não tem data para julgar o recurso da PGR. O relator do caso é o ministro Luís Roberto Barroso, que deve levar o tema a plenário nas próximas semanas. A decisão do STF será crucial para definir o futuro das punições disciplinares no Judiciário brasileiro.

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