Seguranças de Bid condenados por assassinato do contraventor
Seguranças de Bid condenados por assassinato do patrão

A Justiça do Rio de Janeiro manteve a condenação de Carlos Diego da Costa Cabral, segurança do bicheiro Alcebíades Paes Garcia, o Bid, pela morte do patrão. A defesa de Carlos apresentou recursos contra a pena de 29 anos e 11 meses de reclusão, que foram negados. O relator do processo, desembargador Gilmar Augusto Teixeira, destacou que a defesa sustentava que o acórdão anterior teria sido omisso ao analisar alegada irregularidade na atuação do Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI). Ao rejeitar o recurso, a Câmara Criminal concluiu que a questão já havia sido examinada e afastada anteriormente, destacando que o pedido de atuação conjunta do grupo especializado foi formulado meses antes da sessão do júri, realizada em 11 de dezembro de 2025.

Condenação em dezembro de 2025

Carlos Diego foi condenado junto com outro segurança, Thyago Ivan da Silva, em dezembro de 2025 pelo tribunal do júri. O crime ocorreu em fevereiro de 2020, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Bid foi morto pelos próprios seguranças a mando de Bernardo Bello, rival na disputa por pontos de jogo do bicho na Zona Sul do Rio. Thyago Ivan da Silva foi condenado a 25 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, enquanto Carlos Diego da Costa Cabral recebeu pena de 29 anos e 11 meses de reclusão. O tribunal do júri entendeu que o homicídio foi cometido mediante dissimulação, já que os réus foram contratados como seguranças da vítima, que acreditava estar protegida. A dupla não poderá recorrer em liberdade. A Justiça apontou que, uma vez livre, eles poderiam voltar para a vida do crime.

Contexto do crime

Bid era irmão do também contraventor Waldemir Paes Garcia, o Maninho, assassinado em 2004. Segundo os investigadores, o assassinato aconteceu em meio a "acirradas disputas pelo controle da exploração do jogo do bicho e máquinas caça-níquel" a partir da morte de Waldemir Garcia, o Myro, e do filho dele, Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Os procuradores afirmam ainda que os assassinatos de Maninho, em setembro de 2004, e o de Myro, cerca de um mês depois, desestabilizaram o controle dos pontos da contravenção. Isso teria causado uma "pulverização do poder e a escalada de violência" dentro da própria família.

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Disputa familiar e o papel de Bernardo Bello

O "espólio" do crime teria sido assumido pelos genros. De um lado, José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, que era marido de Shanna Harrouche Garcia. De outro, por Bernardo Bello, companheiro de Tamara Harrouche Garcia. As duas são filhas de Maninho. Ainda de acordo com a denúncia, Zé Personal tinha como segurança particular Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano, chefe do grupo de extermínio conhecido como "Escritório do Crime". Entretanto, Bernardo Bello e Capitão Adriano se aliaram para que Bernardo assumisse o "controle absoluto dos negócios ilícitos da família". Bello foi, segundo o MP, o mandante do assassinato de Bid. A intenção dele era consolidar o controle dos pontos de jogo do bicho na Zona Sul do Rio. Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, e Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão, são apontados como membros do "Escritório do Crime", que planejavam e executavam homicídios em troca de dinheiro. Os promotores dizem ainda que Thyago Ivan e Carlos Diego eram seguranças de Bid e que teriam contribuído para o crime, enquanto Wagner Dantas seria um segurança de Bernardo Bello que também ajudou na execução do plano.

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