A decisão de retirar policiais militares cedidos a tribunais em todo o país tem gerado preocupação entre especialistas em segurança pública e membros do Judiciário. A medida, que afeta diretamente a segurança de fóruns e tribunais, pode comprometer a eficiência do sistema judicial e a proteção de magistrados, servidores e cidadãos.
Impacto imediato na segurança dos tribunais
De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 10 mil policiais militares atuam atualmente em tribunais brasileiros. A retirada desses profissionais, que muitas vezes são os únicos responsáveis pela segurança em varas e fóruns, pode deixar essas instalações vulneráveis a ataques e incidentes. Em um levantamento recente, 70% dos tribunais relataram que a presença de policiais é essencial para a manutenção da ordem.
O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ricardo Mair Anafe, afirmou que a medida é preocupante: "A retirada dos policiais militares compromete a segurança de todos os frequentadores dos tribunais. Não podemos permitir que a justiça seja exercida em um ambiente inseguro".
Consequências para o Judiciário
A retirada dos policiais pode sobrecarregar os agentes de segurança privada contratados pelos tribunais, que muitas vezes não têm treinamento adequado para lidar com situações de alto risco. Além disso, a ausência de policiais pode levar ao aumento de incidentes, como tentativas de fuga de presos e agressões a juízes. Em 2025, foram registrados 150 casos de ameaças a magistrados no Brasil, número que pode crescer com a redução da segurança.
O ministro da Justiça, em nota oficial, justificou a decisão como parte de uma reestruturação das forças de segurança, mas não apresentou um plano claro para substituir os policiais nos tribunais. "É preciso garantir que a segurança pública seja priorizada, mas não podemos deixar o Judiciário desamparado", disse um porta-voz do ministério.
Reações e próximos passos
Diversas associações de magistrados e servidores públicos já se manifestaram contra a retirada. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) protocolou um pedido de urgência no STF para suspender a medida. "A segurança nos tribunais é uma questão de Estado, não pode ser tratada com improvisação", declarou o presidente da Ajufe.
Enquanto isso, tribunais de todo o país buscam soluções alternativas, como a contratação de seguranças privados e a instalação de equipamentos de monitoramento. No entanto, especialistas alertam que essas medidas são paliativas e não substituem a presença de policiais treinados. A expectativa é que o debate sobre a segurança no Judiciário se intensifique nos próximos meses.



