Relatório final do Cenipa sobre queda da Voepass é divulgado; veja 10 perguntas
Relatório final do Cenipa sobre queda da Voepass é divulgado

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulga, nesta quinta-feira (23), o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024 em Vinhedo (SP). O acidente, que matou 62 pessoas, foi o mais grave da aviação brasileira desde 2007. O documento traz a conclusão do Cenipa sobre os fatores que contribuíram para a tragédia e apresenta recomendações para evitar novos acidentes.

Dez perguntas que o relatório final deve esclarecer

O g1 ouviu especialistas em segurança aérea e listou as principais dúvidas que o relatório final deve responder:

  • Qual foi o papel do gelo na queda? Imagens mostram a aeronave perdendo sustentação e entrando em parafuso. Análise da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) indicou que o avião voou entre oito e dez minutos em área com condições de gelo severo, cenário de emergência segundo o manual da fabricante ATR.
  • O sistema de degelo funcionou corretamente? Dados da caixa-preta mostram que o sistema foi acionado três vezes. O diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), Carlos Eduardo Palhares Machado, afirmou que há indícios de mau funcionamento.
  • Luzes e avisos sonoros estavam funcionando normalmente? A cabine registrou alertas de perda de velocidade e redução de desempenho, nem sempre acompanhados pelo acionamento do sistema de degelo.
  • Houve comunicação sobre problema no sistema de degelo durante o voo? Comunicações com o controle de tráfego aéreo indicam que não. O copiloto comentou "bastante gelo" pouco antes da perda de controle.
  • Antes do avião decolar, houve comunicação sobre falhas na aeronave? Segundo James Waterhouse, da USP, cogita-se que pilotos reportavam problemas verbalmente a mecânicos para evitar registro no diário técnico de bordo (TLB).
  • Piloto e copiloto agiram conforme os protocolos? Especialistas afirmam que, diante do gelo, a tripulação deveria aumentar a potência e ganhar velocidade. "O acidente todo ocorreu porque eles não respeitaram essas margens", disse Waterhouse.
  • Houve falha na fiscalização pela Anac? Comissão externa da Câmara classificou a atuação da Anac como "hesitante" e concluiu que a agência teve participação na tragédia.
  • O acidente revelou necessidade de melhoria no ATR 72-500? O relatório pode apontar mudanças no sistema de degelo, que já foi aperfeiçoado anteriormente.
  • Houve negligência por parte da Voepass? A comissão externa apontou problemas de manutenção e a prática de "canibalização" de peças.
  • Que lições a aviação tira do acidente? O relatório tem caráter preventivo e pode indicar melhorias em aeronaves, protocolos e fiscalização.

Investigação e contexto

O Cenipa analisou caixas-pretas, motores, sistemas, registros de manutenção, condições meteorológicas, realizou testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500, além de ouvir pilotos, mecânicos e despachantes. A investigação tem caráter exclusivamente preventivo; a apuração criminal é conduzida pela Polícia Federal.

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Em agosto de 2025, o g1 revelou o relato de um ex-funcionário da Voepass de que um piloto avisou verbalmente, horas antes do acidente, que o sistema de degelo havia falhado em voo anterior. A Voepass, em nota, afirmou que aguardará o relatório final para se pronunciar e que sua frota "sempre esteve aeronavegável e apta a realizar voos".

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