Homem se passava por juiz para aplicar golpes em Curitiba
Um homem de 54 anos foi preso na terça-feira (22) em Blumenau, Santa Catarina, suspeito de se passar por juiz federal ou estadual para aplicar golpes em Curitiba. A identidade do suspeito não foi divulgada pela Polícia Civil. Segundo as investigações, ele monitorava anúncios de venda de imóveis e veículos na internet e entrava em contato com os proprietários, fingindo interesse na negociação. Para ganhar a confiança das vítimas, usava codinomes falsos e se apresentava como magistrado.
O esquema do golpe do leilão fantasma
Após estabelecer contato, o suspeito marcava encontros presenciais para discutir a suposta compra. Durante a conversa, ele desviava o foco e oferecia produtos supostamente apreendidos em leilões da Receita Federal ou da Justiça Federal por valores muito abaixo do mercado. O principal produto oferecido era o iPhone 17 Pro Max, anunciado por R$ 1.998,00 — preço incompatível com o mercado, já que na loja oficial da Apple o aparelho custa R$ 11.499. Também eram ofertados motocicletas elétricas, televisores de 80 polegadas e outros eletrônicos a preços irrisórios.
"Para conferir aparência de legalidade à fraude, alegava que seria necessário realizar um 'depósito judicial' antecipado para viabilizar a liberação dos bens. Em alguns casos, orientava as vítimas a efetuarem transferências via PIX para contas de terceiros", detalhou o delegado Emmanoel David.
Encontros nos fóruns e desaparecimento
O homem marcava encontros nas dependências ou proximidades dos Fóruns de Curitiba, alegando que resolveria rapidamente os procedimentos internos. Ele recebia valores em espécie e, em algumas situações, solicitava documentos originais das vítimas, como carteira de identidade e CNH. Depois, determinava que elas aguardassem em locais inexistentes — salas, gabinetes fictícios ou vagas de estacionamento — e desaparecia após receber o dinheiro.
Entre as vítimas identificadas, segundo a polícia, estão um homem que entregou R$ 4 mil em espécie em um estacionamento e uma mãe e filha que sacaram R$ 4 mil e entregaram pessoalmente o valor ao investigado, que fugiu imediatamente.
Histórico criminal desde 1990
As investigações revelaram que o suspeito possui extensa ficha criminal e é investigado pela prática do mesmo tipo de fraude, conhecido como "golpe do leilão fantasma", desde o fim da década de 1990. Ele acumula registros policiais nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. O homem foi indiciado pelo crime de estelionato e encaminhado ao sistema penitenciário.



