O cão Poze, famoso nas redes sociais por "trabalhar" como frentista em Campinas (SP), foi morto em julho durante uma viagem de trailer da família pela Patagônia, na Argentina. Inicialmente dado como desaparecido, o animal foi, na verdade, atacado e morto por cadelas de um camping vizinho. O tutor, Giovanni Fernandes, acusa o dono desses animais de esconder o corpo de Poze, fingir ajudar nas buscas e ameaçar a família com uma arma de fogo. Os tutores registraram um boletim de ocorrência na polícia argentina e afirmam que buscam a responsabilização do suspeito na Justiça. O relato foi publicado pela família nas redes sociais na noite de 27 de julho, após o retorno ao Brasil.
Desaparecimento na Patagônia
Na noite de 12 de julho, o casal soltou os animais em uma área cercada do camping onde estava hospedado, na cidade de El Bolsón, na Patagônia argentina. Como eram os únicos clientes no local, receberam autorização para deixar os cães livres. "Quando a gente chamou eles para voltar para o trailer, o Poze não voltou. Então a gente começou a gritar pelo nome dele ali dentro do camping, porque era um camping muito grande, que tinha um bosque", relatou Giovanni. Pouco depois, duas moradoras de um hostel em frente ouviram latidos e uma briga de cachorros em um terreno vizinho.
Primeiras buscas e mobilização
Giovanni foi imediatamente ao terreno vizinho e encontrou o responsável pelo local saindo de carro. "Antes que ele pudesse sair, nós o paramos e perguntamos: 'Você viu o nosso cachorro? Ele pode ter vindo aqui'. O mesmo disse que não sabia de nada e rapidamente entrou no carro e saiu", disse. O cachorro usava uma coleira com rastreador, mas o sinal não foi localizado. Sem respostas, os tutores iniciaram uma mobilização: espalharam cartazes, deram entrevistas para a imprensa local, divulgaram o caso nas redes sociais e organizaram uma força-tarefa com voluntários. A procura esbarrou na geografia da região, com matas fechadas e rios, e o rastreador de Poze dependia de sinal de internet e de celulares próximos. Durante as buscas, moradores relataram que o vizinho mantinha cães agressivos soltos à noite, e que outros ataques a animais já haviam ocorrido ali.
Confissão e ameaças
No dia 17 de julho, a noiva de Giovanni voltou ao camping vizinho e fez um novo apelo ao dono do local, explicando que a família só queria entender o que havia acontecido para voltar ao Brasil. O homem novamente negou envolvimento. Pouco depois, no entanto, o suspeito confessou a uma funcionária de uma loja de bebidas que suas cadelas haviam matado Poze e que o corpo "jamais seria encontrado". A trabalhadora procurou os brasileiros e revelou a história. "Foi aí que muita coisa que estava estranha nessa história desde o começo começou a fazer sentido", destacou Giovanni. A família foi à polícia argentina com a testemunha. Na frente dos policiais, o homem admitiu o ataque, mas se recusou a revelar onde escondeu o corpo. "Naquela hora, eu olhei para o policial que estava do meu lado e ele disse que não importava que as cachorras dele tivessem feito aquilo. Não importava que ele mentiu para a gente esse tempo todo e atrapalhou a nossa busca. Sem um histórico de denúncias de que os cachorros dele já tinham feito isso antes, nada poderia ser feito", disse o tutor. Além de mentir e esconder o corpo, Giovanni afirma que o vizinho tentou intimidá-los com uma arma de fogo.
Despedida e medidas judiciais
No domingo, 19 de julho, a família publicou uma mensagem de despedida para Poze nas redes sociais. No dia seguinte, o casal iniciou a viagem de 3,3 mil quilômetros de volta ao Brasil. Eles avisaram aos seguidores que só detalhariam o caso após consultar uma advogada especializada em maus-tratos. Já no Brasil, Giovanni publicou um vídeo com a versão completa da história. O tutor reforçou que está em contato com a defesa e que vai adotar medidas judiciais contra o suspeito na Argentina. "Nós perdemos um membro da nossa família, um cachorro que era muito amado, e vamos carregar para sempre a dor de não poder ter protegido ele naquele momento. Mas não aceitaremos carregar a culpa que pertence a quem viu o que aconteceu e escolheu transformar a nossa semana em uma semana de mentiras e sofrimento", lamentou. A identidade do vizinho argentino não foi divulgada pela família.
Quem era Poze
Poze era um cão sem raça definida. Ele apareceu filhote em um posto de combustíveis da família de Giovanni, em Campinas. Após ser adotado, o animal passou a "dar expediente" no local usando uniforme de frentista, ao lado dos cães Matuê, Nagalli e Flávia. A popularidade do quarteto rendeu um perfil nas redes sociais que hoje tem mais de 1,1 milhão de seguidores. O caso gerou comoção entre os seguidores do perfil, que acompanharam o desenrolar da tragédia e clamam por justiça. "O que mais dói não é só a perda. É saber que tiraram da gente o direito de tentar salvar ele, de viver o nosso luto enterrando o nosso cachorro", desabafou Giovanni Fernandes.



