Polícia pede exame de sanidade de genro que confessou matar sogra
Polícia pede exame de sanidade de genro que matou sogra

A Polícia Civil de Sertãozinho (SP) solicitará à Justiça um exame de sanidade mental para Ygor Felizardo, de 28 anos, que confessou ter assassinado a sogra, Leonice Aparecida Moscon, de 62 anos. O crime ocorreu na última segunda-feira (15), e o corpo da vítima foi encontrado dentro de sua residência, no bairro Jardim Vitória.

Confissão e alegação de problemas psiquiátricos

Ygor, que trabalhava como autônomo, foi preso em flagrante no mesmo dia. Inicialmente, ele chegou a dar entrevistas à imprensa, negando envolvimento e afirmando ter boa relação com a sogra. No entanto, durante o depoimento à polícia, admitiu a autoria do crime, mas alegou sofrer de problemas psiquiátricos. O delegado Igor Dorsa, responsável pela investigação, afirmou que serão buscados elementos que comprovem essa condição.

“Vamos buscar esses elementos que atestam que o Ygor padecia desses problemas psiquiátricos e aí verificar se é uma realidade ou não. Nós vamos, se confirmadas essas hipóteses investigativas de que ele realmente é o autor do delito, encaminhar uma sugestão ao Poder Judiciário para um eventual incidente de insanidade mental, para saber se ele tem capacidade e tinha capacidade de entender os atos dele, em especial esse ato tão grave que ele teria praticado aqui em Sertãozinho”, explicou o delegado.

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Possíveis desdobramentos legais

Segundo Dorsa, caso o exame aponte que Ygor tinha plena consciência dos atos, ele poderá ser levado ao tribunal do júri para ser julgado por feminicídio. Do contrário, poderá ser internado para tratamento psiquiátrico. “Não constatada a capacidade dele de entender o que ele pratica, ele responde ao processo normalmente, porém ao invés de ser aplicada uma pena, é aplicada uma medida de segurança, ele vai passar por internação psiquiátrica”, detalhou.

Na terça-feira (16), a Justiça decretou a prisão preventiva de Ygor.

Defesa também pede insanidade mental

O advogado Augusto José Costa, que defende Ygor, informou que também irá solicitar um incidente de insanidade mental. Ele afirma que o suspeito já possui um laudo prévio de transtorno afetivo bipolar e, por isso, acredita que ele não seja capaz de responder mentalmente pelos atos praticados. Para Costa, caso a insanidade seja comprovada, o isolamento em uma instituição de tratamento psiquiátrico é importante para a segurança de Ygor e de outros detentos.

“Naquele ambiente, para além de reclusão, a pessoa recebe um tratamento adequado, o que é muito diferente de uma penitenciária, onde ele seria colocado no meio de tantos outros presos que teriam a sanidade comum e que ele poderia representar um risco dentro dessa penitenciária, não só a si, como os demais detentos”, disse o advogado.

Histórico violento

Ygor havia deixado a prisão há apenas um mês. Ele foi acusado de tentar matar o padrasto, mas acabou absolvido. A esposa de Ygor, filha da vítima, relatou o comportamento agressivo do suspeito, que chegou a agredi-la, embora ela não tenha prestado queixa formal.

Detalhes do crime

No depoimento, Ygor descreveu minuciosamente como cometeu o assassinato. Ele contou que entrou na casa da sogra, pegou uma faca na cozinha e a chamou. Quando ela saiu do quarto, ele a atacou. “Quando eu cheguei, eu cheguei, fui no lavador, peguei a faca, chamei ela. Ela pegou, saiu do quarto e ficou de frente comigo na sala dela. Aí eu peguei, fui na reta dela, ela pegou, entrou no quarto e ficou de frente comigo. Aí foi onde que eu peguei e desferi as facadas dela”, relatou.

O suspeito afirmou que, após Leonice cair no chão, continuou as agressões, colocou-a na cama e desferiu mais golpes. Segundo o delegado, Ygor disse estar motivado pela convicção de que deveria evitar um mal contra o filho, projetado por ele em Leonice. Ele alegou que a sogra poderia abusar sexualmente da criança, mas a polícia não encontrou nenhum indício suspeito contra a avó.

Informações preliminares do Instituto Médico Legal (IML) apontam que Leonice sofreu 38 golpes de faca, entre lesões profundas e superficiais.

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Prisão e evidências

A filha de Leonice, esposa de Ygor, desconfiou da falta de contato com a mãe e foi até a casa, onde encontrou o corpo. A Polícia Militar foi acionada e, no local, Ygor chegou a dar uma entrevista negando envolvimento. No entanto, roupas sujas de sangue, um ferimento sem cicatrização em uma das mãos e a ausência de sinais de arrombamento na residência levaram à sua prisão em flagrante como principal suspeito.