A Polícia Federal concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro e recomendou sua demissão por abandono de cargo. O caso foi encaminhado ao Ministério da Justiça, que decidirá em última instância. O ex-deputado federal, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, estava afastado da função de escrivão para exercer o mandato na Câmara dos Deputados. Com a perda do mandato em dezembro de 2025, ele deveria ter retornado às atividades na PF, mas não o fez.
Investigação aponta ausências injustificadas por mais de 30 dias
A corregedoria da PF apurou que Eduardo Bolsonaro não se reapresentou ao trabalho após o fim do afastamento parlamentar, acumulando ausências não justificadas por mais de 30 dias consecutivos. Essa situação, de acordo com o regime jurídico dos servidores públicos federais, configura abandono de cargo e pode levar à demissão. O processo disciplinar foi aberto em janeiro de 2026 e, após a conclusão, a corporação recomendou a penalidade máxima.
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início de 2025, alegando perseguição política. Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara decretou a perda de seu mandato por excesso de faltas. Desde então, ele deixou de ter o afastamento que permitia exercer a atividade parlamentar sem atuar na PF.
Salário de escrivão da PF pode chegar a R$ 21,9 mil
O cargo de escrivão da Polícia Federal é uma das carreiras mais bem remuneradas do serviço público federal. Segundo a Tabela de Remuneração dos Servidores Federais de 2025, o salário inicial é de R$ 14.164,81. Com a progressão na carreira, a remuneração pode atingir R$ 21.987,38, de acordo com a classe e o tempo de serviço. O escrivão é responsável por registrar, organizar e formalizar procedimentos investigativos, como lavratura de autos, termos, depoimentos e mandados, além do controle de prazos e organização de inquéritos.
Entre as atribuições do cargo estão o acompanhamento de diligências, a gestão de fianças e objetos apreendidos e o apoio a atividades administrativas e operacionais da corporação. A demissão de Eduardo Bolsonaro colocaria em risco esse vínculo com a carreira.
Decisão final cabe ao ministro da Justiça
A PF é subordinada ao Ministério da Justiça, e caberá ao ministro Wellington Lima e Silva decidir se aplica ou não a penalidade. O processo foi encaminhado à pasta para análise e deliberação. Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro recebeu, nesta semana, um green card do governo do presidente americano Donald Trump, autorizando sua residência e trabalho permanentes nos Estados Unidos.
O caso chama atenção para as regras de afastamento e retorno de servidores públicos que exercem mandatos eletivos. A perda do mandato encerra automaticamente o afastamento, obrigando o retorno imediato ao cargo de origem. O não cumprimento pode levar a sanções disciplinares, como a demissão.



