PF investiga família de Uberlândia por tráfico internacional e lavagem de dinheiro
PF investiga família de Uberlândia por tráfico e lavagem

Pai, mãe, filhas e ex-genro de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se tornaram alvo da operação 'Mens Occulta' da Polícia Federal (PF) por integrar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de cocaína e à lavagem de dinheiro. A PF apura movimentações financeiras de cerca de R$ 70 milhões sem origem compatível nos últimos cinco anos.

De acordo com as investigações, o grupo liderado por Mário Sérgio Nunes, o 'Serjão do PCC', contava com uma estrutura logística que incluía caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada. A estrutura era usada para transportar grandes carregamentos de cocaína entre diferentes estados do país e movimentar recursos ligados à atividade criminosa.

Empresa do tráfico

A investigação da Polícia Federal (PF) revelou que a organização criminosa liderada por 'Serjão do PCC' mantinha uma estrutura semelhante à de uma empresa para transportar cocaína e movimentar dinheiro do tráfico. Segundo a PF, o grupo utilizava caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para sustentar a operação criminosa. O grupo usava laranjas para ocultar patrimônio e escondia drogas em compartimentos falsos instalados em caminhões. A organização também mantinha uma rota de transporte que ligava Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais.

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A PF também identificou a participação de familiares e aliados na movimentação financeira do esquema. Segundo as investigações, Uberlândia era o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas da organização criminosa.

Fundos falsos e pneus

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa liderada por Mario Sergio utilizava caminhões adaptados com compartimentos secretos para transportar cocaína entre estados e dificultar a fiscalização. A droga era escondida principalmente em fundos falsos instalados atrás do banco do motorista e também nos pneus dos veículos. Em apreensões realizadas em Mato Grosso do Sul, os agentes encontraram carregamentos de 423 quilos de cocaína, 125 quilos de cocaína e 126,2 quilos de pasta base ocultados dessa forma. Para os investigadores, a repetição do método revela um padrão operacional adotado pelo grupo criminoso.

Quem é quem no esquema

Mario Sergio Nunes, conhecido como 'Serjão do PCC', liderava a organização criminosa e era responsável por coordenar a logística e as finanças do tráfico. A esposa dele, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e as filhas, Bruna e Brenda Silva Nunes, são apontadas pela PF como participantes da movimentação de recursos e da ocultação de patrimônio. Mario Sergio e Brenda foram presos em um hotel de Uberaba na terça-feira (2). Bruna se entregou à PF na quinta-feira (4). Apesar de ser investigada, Maria Lourdetis não foi alvo de mandado de prisão. Já o ex-genro Rhanniery Nunes Graciano é apontado pela PF como um dos laranjas usados para ocultar bens ligados ao esquema criminoso.

Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo. Ele disse ainda que a família confia nas instituições e está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Em nota, o advogado de Rhanniery, Sérgio Luiz da Silva, afirmou que acompanha todos os desdobramentos do caso, mas que não fará comentários sobre aspectos específicos neste momento.

Nome de Serjão causava medo entre desafetos

Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) indicam que o nome dele era usado para intimidar outras pessoas. Ainda segundo os investigadores, há indícios de que Serjão integra a alta cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Conversas atribuídas às filhas de Mario Sergio, Bruna e Brenda Nunes, sugerem que elas usavam a reputação do pai para intimidar pessoas com quem tinham desavenças. Segundo a PF, as mensagens também indicam que as duas tinham conhecimento das atividades criminosas atribuídas ao investigado.

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No documento, a polícia afirma ainda que uma conversa entre as irmãs indica que elas sabiam da posição de destaque ocupada pelo pai dentro da facção. A análise também aponta que o nome de Mario Sergio, citado nas mensagens como 'Serjão do Tráfico' e 'Serjão do PCC', era usado para amedrontar pessoas envolvidas em conflitos com o grupo. Para a Polícia Federal (PF), as conversas reforçam a suspeita de que as filhas não apenas sabiam das atividades criminosas atribuídas ao pai, mas também participavam da estrutura da organização.

2 toneladas de cocaína apreendidas

Nem nove grandes apreensões realizadas em um ano interromperam as atividades da família. Apesar do volume de drogas apreendidas, a Polícia Federal afirmou que a quantidade representa apenas uma pequena parte dos entorpecentes movimentados pelo grupo investigado. Segundo as investigações, organizações criminosas como a liderada por Serjão do PCC tratam o tráfico de drogas como uma atividade estruturada. Por isso, os líderes já consideram, em seus cálculos, as perdas causadas por apreensões realizadas pelas forças de segurança. De acordo com a PF, o esquema continuou operando mesmo após as apreensões. Como exemplo, a polícia identificou, em janeiro de 2025, que dois motoristas ligados ao grupo e presos por tráfico fizeram três viagens suspeitas cada um. Em apenas uma dessas viagens houve apreensão da carga de drogas.

Cavalo de competição e flutuante de luxo

Na quarta-feira (3), a PF apreendeu um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil durante o segundo dia da operação 'Mens Occulta'. A investigação apontou que o cavalo pertencia à Brenda da Silva Nunes e foi encontrado em um haras na região de Barretos, no interior de São Paulo. Brenda é competidora da modalidade de três tambores e está entre os principais alvos da operação. De acordo com a Polícia Federal (PF), outro cavalo de competição ligado à investigada ainda não foi localizado.

Além do animal apreendido, os agentes encontraram um segundo flutuante motorizado atribuído à família Nunes. A embarcação estava em uma propriedade particular de Uberlândia. Segundo a PF, o flutuante possui estrutura de lazer com fogão, sistema de som e até pista de dança. Para os investigadores, as apreensões reforçam a suspeita de que o grupo utilizava recursos obtidos com atividades criminosas para comprar bens de alto valor e artigos de luxo.

Beneficiários do Bolsa Família envolvidos no esquema

Pelo menos 56 beneficiários de programas sociais do governo federal aparecem nas análises financeiras realizadas durante a apuração do esquema. Segundo a Polícia Federal (PF), a presença dessas pessoas nas movimentações investigadas chamou a atenção dos investigadores. Segundo os relatórios analisados pela Polícia Federal (PF), os beneficiários receberam recursos de programas sociais como o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial. Os nomes aparecem em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), registros de transferências bancárias, movimentações consideradas suspeitas e operações financeiras envolvendo pessoas ligadas ao grupo investigado.

Entre os nomes citados está Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro de Mario Sergio. Segundo a investigação, ele recebeu repasses do Auxílio Emergencial durante a pandemia e também figura entre os investigados na operação. Além dele, a PF identificou dezenas de outros beneficiários de programas sociais que mantiveram relações financeiras consideradas relevantes para a apuração do caso.

Suspeita de lavagem de dinheiro

A Polícia Federal suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. 'Eles não tinham renda fixa declarada, então foram vários veículos de luxo, alguns já estavam colocados à venda. Eles já estavam tentando desfazer dos bens, provavelmente pelas recentes apreensões que ocorreram no mês passado e no mês retrasado, e são veículos de alto valor, alto padrão', concluiu Garcia.

O que disse a defesa da família Nunes

'A defesa informa que a investigada integrante da Família Nunes apresentou-se espontaneamente perante a Polícia Federal, demonstrando respeito às autoridades e ao regular andamento da investigação. Entretanto, causa profunda preocupação o fato de que, até o presente momento, os advogados seguem sem acesso aos autos, mesmo havendo pessoas privadas de liberdade, e todas ainda aguardando a realização da audiência de custódia. A defesa ressalta que o sigilo da investigação não pode impedir o exercício das prerrogativas profissionais da advocacia, tampouco restringir garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal, como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e o controle judicial imediato da prisão. A Família Nunes reafirma sua confiança na Justiça, mas registra sua preocupação com o respeito às liberdades e garantias individuais, permanecendo à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários. Por se tratar de procedimento sigiloso, a defesa não se manifestará sobre o mérito dos fatos neste momento.'

O que disse a defesa de Ranniery

'A defesa de Rhanniery Nunes Graciano recebeu com serenidade as informações relacionadas à denominada Operação Mens Occulta e acompanha atentamente todos os desdobramentos do caso. Neste momento, é importante destacar que toda pessoa submetida à investigação ou processo judicial goza da garantia constitucional da presunção de inocência, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito. A defesa reafirma a absoluta confiança nas instituições, no trabalho das autoridades competentes e no sistema de justiça brasileiro, certos de que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso regular do procedimento, com pleno respeito ao contraditório e à ampla defesa. Em respeito às investigações em andamento, não serão realizados comentários sobre aspectos específicos do caso neste momento. Temos convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá e todas as circunstâncias serão adequadamente esclarecidas perante as autoridades competentes.'