PF aponta atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master em três frentes
PF aponta atuação de Jaques Wagner em favor do Banco Master

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, utilizou seu mandato para atuar em benefício dos interesses do Banco Master em pelo menos três frentes distintas, conforme aponta a Polícia Federal. Nesta quinta-feira (18), agentes realizaram buscas em endereços ligados ao parlamentar.

Investigação aponta três frentes de atuação

De acordo com a PF, a atuação de Wagner envolveu propostas para ampliar o crédito consignado, iniciativas relacionadas ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o acompanhamento da tentativa de venda do Banco Master ao BRB. Essas medidas eram consideradas estratégicas para as fraudes comandadas por Daniel Vorcaro, ex-sócio do banco.

A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, que resultou na apreensão de 49 mil dólares (cerca de R$ 252 mil) em um imóvel ligado ao senador. O espaço permanece aberto para manifestações.

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Crédito consignado como primeira frente

A primeira frente de atuação de Wagner diz respeito à ampliação do crédito consignado. A PF aponta que o senador trabalhou em medidas para aumentar a margem de empréstimos descontados em folha para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS. As discussões também incluíram a autorização para que beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda pudessem acessar empréstimos consignados.

Segundo os investigadores, essa articulação resultou na apresentação de uma emenda posteriormente incorporada à legislação que ampliou o acesso a essa modalidade de crédito. A pauta tinha ligação direta com os negócios de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, responsável por implementar, durante os governos de Jaques Wagner na Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que mais tarde foi incorporado ao Banco Master. Esse modelo, batizado de Credcesta, tornou-se um dos principais ativos financeiros da instituição.

Fundo Garantidor de Créditos como segunda frente

A segunda frente envolve discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade que protege depositantes e investidores em caso de quebra de instituições financeiras. A PF afirma que a ampliação da cobertura do fundo, que não se concretizou apesar dos esforços, era de interesse do Banco Master, que utilizava a garantia do FGC como um dos principais instrumentos para captar recursos no mercado. Investigações anteriores já haviam mostrado que o senador Ciro Nogueira recebeu propina e apresentou emenda nesse sentido, mas ele nega irregularidades.

Acompanhamento da venda do Banco Master como terceira frente

Na terceira frente, os investigadores apontam que Wagner acompanhou de perto a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), uma operação considerada estratégica para o futuro da instituição controlada por Daniel Vorcaro. A venda foi posteriormente rejeitada pelo Banco Central.

Propina e vantagens indevidas

Diálogos extraídos do celular de Augusto Lima indicam que ele emprestou seu avião particular diversas vezes para o líder do governo Lula no Senado e também bancou ingressos para o camarote de um show em Los Angeles, nos Estados Unidos. A Polícia Federal afirma que essas vantagens se somam a outros pagamentos de propina feitos ao senador, como a compra de um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões e repasses de R$ 3,5 milhões para a empresa de familiares.

Alvo da primeira fase da Compliance Zero em novembro, Augusto Lima voltou a ser alvo de medidas da PF nesta quinta-feira, com mandados de busca e apreensão em endereços na Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Sua defesa classificou as buscas como "desnecessárias".

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