A Justiça de Mato Grosso condenou a pecuarista Ines Gemilaki e seu filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, a indenizar o proprietário do imóvel que invadiram e onde mataram dois idosos durante uma confraternização em Peixoto de Azevedo. O valor total da indenização é de R$ 267,9 mil. Além deles, o cunhado de Ines, Éder Gonçalves Rodrigues, também foi condenado ao pagamento. A decisão foi proferida pelo juiz João Zibordi Lara e publicada nesta quarta-feira (8), na esfera cível.
Detalhes da indenização
A sentença determina o pagamento de R$ 27,9 mil por danos materiais e R$ 240 mil por danos morais. O ataque ocorreu em 21 de abril de 2024, quando os acusados entraram armados na residência de Erneci Afonso Lavall durante uma confraternização familiar e efetuaram diversos disparos. A ação resultou na morte de Pilson Pereira da Silva, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81 anos, além de ferir outras pessoas, incluindo um padre.
O juiz concluiu que ficou comprovada a participação conjunta dos três réus na invasão armada e destacou que o imóvel sofreu danos em vidros, portas, paredes, móveis, cortinas e outras estruturas. O magistrado também considerou que o proprietário sofreu intenso abalo psicológico após o episódio.
Fundação da decisão judicial
“A residência é espaço de intimidade, segurança e proteção familiar. A invasão armada do lar, com disparos de arma de fogo, mortes, pessoa ferida e destruição patrimonial, ultrapassa qualquer noção de mero aborrecimento ou dissabor cotidiano”, escreveu o juiz. Embora tenha reconhecido o direito à indenização, o juiz entendeu que o proprietário da residência contribuiu para o agravamento do conflito.
Durante o processo, Erneci admitiu que havia enviado terceiros para cobrar uma dívida de Inês Gemilaki e prometido uma comissão caso os valores fossem recuperados. Conforme a sentença, ele também tinha conhecimento de que existia uma decisão judicial desfavorável à cobrança. No entanto, o juiz ressaltou que isso não autoriza uma reação violenta. "A eventual conduta ilícita antecedente do autor não exclui a responsabilidade dos requeridos pelo ataque armado posteriormente praticado", afirmou.
Redução da indenização
O magistrado entendeu que a indenização seria de R$ 300 mil, mas reduziu o valor em 20%, fixando a reparação em R$ 240 mil. Já os danos materiais foram mantidos integralmente em R$ 27,9 mil, por entender que os prejuízos à residência decorreram diretamente dos disparos efetuados durante o ataque.
Relembre o caso
No dia 21 de abril de 2024, a pecuarista Ines Gemilaki e o filho, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, invadiram uma casa e mataram dois idosos. Durante a ação, o padre José Roberto ficou ferido. Conforme investigações, a suspeita de motivação do crime seria um desacordo comercial envolvendo pagamentos de aluguel da casa invadida. Segundo a polícia, o principal alvo do ataque era o dono da casa, que não foi atingido pelos tiros.
Dois dias após o crime, o marido de Ines, Marcio Ferreira Gonçalves, de 45 anos, e o irmão dele, Eder Gonçalves Rodrigues, foram presos por participação no crime. No mesmo dia, Ines e Bruno se entregaram à Polícia Civil. Em maio de 2025, os quatro suspeitos foram indiciados e Bruno foi impedido de exercer a profissão por decisão do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT).
O g1 tenta localizar a defesa dos citados para comentar a decisão.



