PCC planejava executar promotor em Campinas, revela operação do Gaeco
PCC planejava matar promotor em Campinas, diz Gaeco

Uma recente operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelou um audacioso plano do Primeiro Comando da Capital (PCC): executar um promotor de Justiça de Campinas. A ousadia da facção criminosa ao afrontar as autoridades públicas não surpreende, mas ainda estarrece. Causa ainda mais estupefação a adoção pelo PCC de táticas cada vez mais arrojadas para desestabilizar o Estado brasileiro, como a progressiva infiltração nos aparelhos estatais para subverter as instituições e corromper agentes públicos, cooptando-os para o mundo do crime.

Operação Infiltrados revela esquema

Como bem mostrou a Operação Infiltrados, deflagrada em parceria com a Polícia Militar e as Corregedorias das Polícias Civil e Penal, o PCC tem ido longe demais. Segundo as investigações, dois empresários que eram testas-de-ferro de Sérgio Luiz de Freitas, um líder do PCC que há 20 anos vive na Bolívia, haviam recebido a missão de assassinar o promotor Amauri Silveira Filho. A dupla, ao que parece, contava com o apoio de Maurício Aparecido de Oliveira, investigador-chefe da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas até fevereiro passado. Gravado conversando com um dos comparsas do PCC, ele é suspeito de ter repassado informações “privilegiadas e sensíveis” sobre a rotina do promotor.

Resposta do Estado

O desfecho do trabalho de investigação evidencia que o Gaeco está atento ao problema. Mostra, sobretudo, que o Estado brasileiro não está inerte diante das investidas do PCC e de outras facções criminosas. Em que pese a decepção de constatar que há agentes públicos que, em vez de proteger, ameaçam a sociedade, a capacidade de resposta das instituições paulistas contra a desfaçatez do PCC é digna de elogio. Trata-se de um trabalho bem planejado e bem executado, que mobilizou os setores de inteligência e reforçou a importância da cooperação entre promotores de Justiça e agentes das forças de segurança no combate ao crime organizado.

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O MP-SP e as polícias, acertadamente, juntaram esforços para, nas palavras dos integrantes do Gaeco, combater “novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MP”, haja vista que um ex-estagiário também foi preso por extorquir integrantes do PCC. Quem sucumbe à corrupção, à extorsão e à violação do sigilo funcional é indigno de integrar os quadros do serviço público.

É fato que os criminosos, com suas artimanhas, tendem sempre a estar um passo à frente das autoridades policiais. Mas é um alento saber que há agentes públicos probos dispostos a combater tanto os bandidos do PCC como aqueles que não honram e nunca honrarão os distintivos de policiais que carregam. Expurgar os maus elementos das corporações é um bom começo, que pode ajudar a recobrar a credibilidade das forças de segurança e fortalecer a luta contra o crime organizado.

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