Partidos contestam uso de fundos para socorrer BRB no DF
Partidos contestam socorro ao BRB com fundos do DF

Partidos de oposição no Distrito Federal ingressaram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a lei que autoriza o governo local a utilizar recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para socorrer o Banco de Brasília (BRB), severamente afetado por fraudes. A medida, que prevê um empréstimo de R$ 6,5 bilhões, tem gerado forte resistência por parte da oposição, que alega que a operação pode comprometer serviços públicos essenciais, como saúde e educação.

Detalhes da ação judicial

A ADI foi protocolada por parlamentares de partidos como PT, PSOL e PDT, que argumentam que a lei viola princípios constitucionais de responsabilidade fiscal e transparência. Segundo os autores, a utilização de receitas do FPE e FPM, que são transferências constitucionais destinadas a estados e municípios, para salvar um banco público configura desvio de finalidade. “Não podemos permitir que recursos que deveriam ir para hospitais e escolas sejam usados para tapar buracos de um banco que sofreu com má gestão”, afirmou o deputado distrital Chico Vigilante (PT), um dos signatários da ação.

Impacto nos serviços públicos

O empréstimo de R$ 6,5 bilhões equivale a aproximadamente 15% do orçamento anual do Distrito Federal. Especialistas consultados pela coluna alertam que, caso a operação seja concretizada, haverá um impacto direto no financiamento de áreas prioritárias. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) já iniciou uma análise da legalidade da medida. Em nota, o presidente do TCDF, conselheiro Manoel de Andrade, afirmou que “será rigoroso na verificação do cumprimento das normas fiscais e da destinação dos recursos”.

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O histórico do BRB

O BRB tem enfrentado dificuldades financeiras nos últimos anos, agravadas por fraudes internas que resultaram em prejuízos milionários. Em 2025, o banco registrou um rombo de R$ 2,3 bilhões devido a operações fraudulentas, o que levou à necessidade de capitalização. O governo do DF, controlador do banco, defende que o socorro é essencial para evitar o colapso da instituição e proteger os depositantes. O secretário de Fazenda do DF, André Clemente, declarou que “a medida é legal e necessária para garantir a estabilidade do sistema financeiro local”.

Reações e próximos passos

A oposição promete continuar a batalha jurídica. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que “o STF precisa barrar essa manobra que fere a Constituição”. Enquanto isso, o governo do DF busca apoio político para aprovar a lei no legislativo local, onde enfrenta resistência até mesmo de aliados. A expectativa é que o STF julgue a ADI nos próximos meses, enquanto o TCDF conclui sua análise.

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