Padre do DF rejeita excomunhão do Vaticano por adesão à Fraternidade São Pio X
Padre do DF rejeita excomunhão do Vaticano

O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, fundador da Capela Santo Atanásio em Ceilândia, Distrito Federal, foi excomungado pelo Vaticano por sua adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Em resposta, ele divulgou uma "carta aberta aos católicos" na manhã desta quinta-feira (16), na qual rejeita a excomunhão e anuncia que continuará celebrando missas.

O que diz a carta do padre Françoá

No texto, o padre lista "escândalos" envolvendo a Igreja Católica, critica o "modernismo" promovido pelas reformas a partir dos anos 1960 e afirma que a igreja moderna é um "parasita". Ele também argumenta que, enquanto colaborava com a Arquidiocese de Brasília, foi repreendido e removido de paróquias por "pregar catolicamente" contra "erros protestantes" e por usar o latim em suas missas.

"O nosso apego à Tradição é tão forte que nem precisamos justificar nossa catolicidade, pois apenas transmitimos aquilo que recebemos. Os senhores, membros da Igreja moderna, é que precisam justificar a catolicidade dos senhores, já que, como fica claro a cada dia que passa e a cada novo escândalo, trabalham à margem da fé católica e contra a fé católica dos nossos antepassados", diz o sacerdote.

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Contexto: Concílio Vaticano II e a Fraternidade São Pio X

Entre 1962 e 1965, o Concílio Vaticano II marcou uma das maiores reformas da história recente da Igreja Católica. Entre as mudanças, as missas deixaram de ser obrigatoriamente celebradas em latim, os padres passaram a celebrar voltados para os fiéis, e a Igreja ampliou o diálogo com outras religiões.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X rejeita essas mudanças. O grupo defende a preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e uma interpretação mais rígida da doutrina da Igreja. O Vaticano declarou que todos os padres e católicos que "aderem formalmente" ao grupo encontram-se agora em cisma e excomungados.

Principais defesas da Fraternidade São Pio X

Dentre as principais defesas da FSSPX estão: o retorno das missas em latim; celebrações com o padre voltado para o altar, de costas para os fiéis; a rejeição à separação entre Igreja e Estado; a rejeição da abertura da Igreja ao diálogo com outras religiões; e a rejeição de parte das reformas litúrgicas e pastorais adotadas nas últimas décadas.

No site brasileiro da fraternidade, afirma-se que o objetivo da congregação foi "mal compreendido" e que o arcebispo Dom Marcel Lefebvre, fundador do grupo, não pretendia desafiar o papa. "Dom Lefebvre insistia em dizer que respeitava e honrava o Santo Padre e que simplesmente continuava uma tradição católica ininterrupta", afirmam. Atualmente, a FSSPX tem 720 sacerdotes e quase meio milhão de fiéis ao redor do mundo.

Reação e desdobramentos

Padre Françoá rejeita a excomunhão confirmada pela Arquidiocese de Brasília e afirma que continuará celebrando missas. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele reiterou sua posição. A Arquidiocese de Brasília não se pronunciou oficialmente sobre a carta do padre.

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