Policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF) deflagraram, nesta segunda-feira, a Operação Último Suspiro, que mira um grupo criminoso acusado de desviar a fortuna de um empresário com câncer em estágio terminal por meio de um esquema de fraude envolvendo precatórios milionários. As investigações apontam que os suspeitos se aproveitaram da fragilidade da vítima, já falecida, para assumir o controle de empresas e movimentar altos valores.
Alvos da operação
Os alvos incluem policiais militares e escritórios de advocacia, investigados por estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. De acordo com as autoridades, há uma pessoa jurídica vinculada ao falecido que contava com a participação de um policial militar. A polícia busca entender a magnitude e a dimensão da atuação desse policial na empresa.
Cumprimento de mandados
As diligências, que contam com apoio de policiais do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), ocorrem no Centro e nas zonas Sul, Sudoeste e Norte do Rio de Janeiro. Foram cumpridos 22 mandados de busca expedidos pelo Poder Judiciário, com o objetivo de arrecadar aparelhos telefônicos e eletrônicos dos envolvidos para instrumentalizar a investigação.
O delegado Marcos Buss, titular da DDEF, detalhou ao Bom dia Rio que a investigação visa apurar as circunstâncias em que houve transferências de valores, outorgas de procuração e alterações no quadro societário de duas empresas que pertenciam ao falecido empresário Oswaldo Rodrigues Vieira Filho.
Esquema criminoso
As investigações revelaram indícios de um sofisticado esquema criminoso em que o grupo atuava para assumir de forma indevida o controle de empresas detentoras de precatórios de elevado valor econômico. As alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram três meses antes da morte do empresário.
De acordo com as apurações, o controle de empresas titulares desses créditos judiciais foi transferido para pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento da origem e do destino dos valores.
Precatório de R$ 38,5 milhões
Outro elemento que chamou a atenção foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes de o empresário morrer. Além disso, um testamento teria sido lavrado cerca de duas horas antes do óbito, atribuindo a uma das investigadas o papel de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio.
Os agentes identificaram que, apenas sete dias após a morte da vítima, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da investigada, valor que teria origem em créditos relacionados aos precatórios.
Capacidade de compreensão
O delegado Marcos Buss afirmou que a polícia busca entender como essas pessoas se aproximaram do falecido e em que circunstâncias os documentos, procurações e alterações contratuais foram realizados, tendo em vista que, com base em pareceres médicos, o empresário, pouco antes de sua morte, não tinha capacidade de compreensão e de manifestação da vontade.
Buss destacou que o testamento foi celebrado poucas horas antes da morte, em circunstâncias absolutamente inusuais, com testemunhas relacionadas aos alvos. O trabalho investigativo da DDEF durou meses e identificou ainda indícios de utilização de documentos com assinaturas falsificadas e concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo investigado pouco antes da morte da vítima.
Objetivo da operação
O objetivo da ação desta segunda-feira é cumprir mandados de busca e apreensão e arrecadar materiais que possam esclarecer a dinâmica financeira do esquema, além de contribuir para a responsabilização de todos os envolvidos.



