Operação Juros Zero mira descontos indevidos em folha de servidores do DF
Operação Juros Zero mira descontos indevidos em folha de servidores

O Ministério Público deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juros Zero, que investiga um esquema de descontos indevidos na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal. As investigações apontam que órgãos públicos e empresas privadas atuaram em conjunto para cobrar taxas disfarçadas, simulando operações sem juros.

Alvos da operação

Foram alvos da operação o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF. Entre os investigados estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF e já condenado por corrupção; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso desde abril; e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay, indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.

O esquema

Segundo o MP, um decreto distrital de agosto de 2024, originado na Secretaria de Economia, criou uma modalidade de desconto em folha para amortização de transações sem juros. Seis dias depois, o PicPay formalizou interesse em operar as folhas de pagamento do governo do DF, oferecendo adiantamento salarial. O Tribunal de Contas do DF apontou que o PicPay cobrava uma taxa de antecipação, apesar de divulgar a operação como sem juros. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, foram descontados mais de R$ 80 milhões dos contracheques dos servidores sob a rubrica de taxas.

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Envolvimento do BRB

O BRB teria possibilitado a continuidade do esquema ao contratar o sistema ConsigServ, gerenciado pela Neoconsig. O controle das consignações foi repassado ao BRB Serviços, que era remunerado proporcionalmente ao volume de empréstimos, incentivando o endividamento dos servidores. Em 2024, o BRB Serviços faturou R$ 8,9 milhões com o ConsigServ.

Papel da Associação dos Servidores

A Associação dos Servidores Públicos do DF (ASDF) é investigada por usar códigos de plano de saúde para mascarar empréstimos com juros, muitas vezes sem autorização dos servidores. Houve indícios de captação de senhas e tokens pessoais. O volume de recursos movimentados pela associação saltou de R$ 3 mil em 2023 para R$ 1,49 milhão em 2025.

Ações da operação

Na manhã de hoje, o MP cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. Não há ordens de prisão. A Justiça bloqueou quase R$ 90 milhões em contas do PicPay e da ASDF. Os crimes investigados incluem: contra a economia popular, publicidade enganosa, inserção de dados falsos em sistemas públicos, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Posicionamento do PicPay

Em nota, o PicPay afirmou que não reconhece irregularidades e rejeita a alegação de cobrança indevida. A empresa disse que seus produtos estão em conformidade com as normas vigentes e que colaborará com as autoridades.

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