Nove detentos condenados por tortura em presídio de RO
Nove detentos condenados por tortura em presídio de RO

A Justiça de Rondônia condenou nove detentos pela tortura de um colega de cela dentro do presídio de Ouro Preto do Oeste, no interior do estado. A decisão atendeu a uma ação do Ministério Público de Rondônia (MPRO), que havia denunciado os réus pelo crime hediondo. O processo tramita em segredo de Justiça, e por isso os nomes dos envolvidos e a data exata do crime não foram divulgados.

Exames comprovam agressões repetidas

De acordo com a sentença, os exames de corpo de delito realizados na vítima confirmaram que ela foi agredida violentamente em múltiplas ocasiões pelos companheiros de cela. As lesões documentadas evidenciaram a gravidade do sofrimento imposto. Ao todo, dez pessoas foram julgadas pelo crime de tortura, mas uma delas acabou absolvida.

As penas aplicadas aos nove condenados variam de dois a quase quatro anos de prisão. A distribuição das sentenças foi a seguinte: dois réus receberam 3 anos e 8 meses de reclusão; três réus foram condenados a 2 anos e 8 meses; e quatro réus tiveram penas de 2 anos e 4 meses. O regime inicial de cumprimento não foi detalhado, mas, pela extensão das penas, possivelmente será semiaberto ou aberto, dependendo da reincidência e de outros fatores jurídicos.

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MPRO recorre por penas mais severas

O Ministério Público de Rondônia informou que já recorreu da decisão judicial. O órgão pede que o preso absolvido também seja condenado e que as penas dos demais sejam aumentadas. Para a promotoria, a gravidade e a intensidade da violência praticada justificam punições mais duras, dentro do limite legal previsto para o crime de tortura, que pode chegar a 8 anos de reclusão, além de multa.

A tortura é considerada um crime hediondo pela legislação brasileira, sem possibilidade de anistia, fiança ou graça. O caso de Ouro Preto do Oeste levanta novamente o debate sobre a superlotação carcerária e a falta de controle interno nos presídios, que muitas vezes permitem que detentos exerçam violência contra outros sem a devida intervenção do Estado.

Contexto de violência nos presídios brasileiros

Episódios de tortura entre detentos são recorrentes no sistema prisional brasileiro. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a população carcerária ultrapassa 800 mil pessoas, e as condições precárias contribuem para a ocorrência de abusos. Em Rondônia, o MPRO tem atuado em várias frentes para coibir práticas de tortura e maus-tratos, tanto por parte de agentes públicos quanto entre os próprios presos.

A condenação dos nove detentos representa um passo importante na responsabilização dos agressores, mas o recurso do MPRO indica que a promotoria considera as penas insuficientes diante da barbárie cometida. A expectativa é que o tribunal de segunda instância revise as sentenças e aplique punições mais rigorosas.

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