O musical 'Pra te ver feliz', segundo ato da trilogia 'Dá samba', do dramaturgo e diretor João Batista, celebra a obra do partideiro Almir Guineto (1946 – 2017) com 13 canções interpretadas por sete atores. Em cartaz no teatro do Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro, até 9 de agosto, o espetáculo evidencia tanto a luminosidade quanto as sombras do repertório do bamba do Salgueiro.
Homenagem a um bamba pouco reverenciado
Almir Guineto, que teria completado 80 anos em 12 de julho, é frequentemente menos celebrado que contemporâneos como Arlindo Cruz (1958 – 2025) e Jorge Aragão. O musical busca preencher essa lacuna ao mergulhar em sambas que marcaram sua carreira, desde os anos 1970 até os anos 1990. A direção musical de Marcelo Alonso Neves está afinada com o espírito descontraído do samba carioca.
Elenco e repertório
Sete atores dão vida às canções: Aline Borges, Elli Fêrreira, Jeniffer Dias, Lucas da Purificação, Thiago Thomé, Udylê Procópio e Vilma Melo. O roteiro inclui clássicos como 'Conselho' (Adilson Bispo e Zé Roberto, 1986), 'Insensato destino' (Maurício Lins, Chiquinho e Acyr Marques, 1985) e 'Mel na boca' (Davi Correia, 1986), além de composições do próprio Guineto, como 'Da melhor qualidade' (com Arlindo Cruz, 1985) e 'Brilho no olhar' (com Celso Leão e Daniel, 1997).
Drama e leveza em cena
A dramaturgia, estruturada em esquetes que retratam o cotidiano suburbano, ganha densidade em momentos de drama. Um dos números mais fortes é 'Lama nas ruas' (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986), que aborda a devastação causada por temporais – tragédia ainda comum na geografia carioca. Relacionamentos abusivos e machistas também são pautados, mas a leveza predomina, com números como 'Saco cheio' (Dona Fia e Marcos Antônio, 1981) e 'Caxambu' (Élcio do Pagode, Jorge Neguinho, Zé Lobo e Bidubi, 1986).
Uma experiência energizante
O musical 'Pra te ver feliz' está em cartaz de quinta a domingo, até 9 de agosto, com sessão para convidados em 22 de julho. A crítica destaca que, entre solos, duetos e números coletivos, a alegria resiliente do repertório de Almir Guineto se impõe, fazendo o público sair energizado do teatro.



