MP denuncia quatro por homicídio com dolo eventual em morte de jovem em rope jump
MP denuncia quatro por homicídio em morte de jovem em rope jump

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu em 13 de junho após ser lançada sem corda de segurança durante a prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis.

Denúncia aponta negligência e busca por lucro

Segundo a denúncia apresentada nesta terça-feira (7) por promotores de Limeira, os responsáveis pela atividade radical conheciam os riscos, mas negligenciaram protocolos básicos de segurança, como a checagem da corda e dos equipamentos, além de exigências legais. Priorizavam o lucro e a promoção do evento nas redes sociais em detrimento da vida dos participantes.

Os promotores Mário Robim da Silva Júnior, Michelli Musse Jacob, João Guilherme Salve, Matheus Bulgarelli de Freitas Guimarães, Renato Fanin e André Camilo Castro Jardim são os responsáveis por levar o caso ao Poder Judiciário.

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Atividade irregular e sem segurança

A denúncia aponta que os responsáveis promoviam entre 80 e 100 saltos por dia sem qualquer estrutura de segurança. "A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fatos", sustentam os promotores.

Os acusados e o papel de cada um

De acordo com o MP, Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves lançaram a jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral. Ela caiu de uma altura de aproximadamente 30 metros e morreu de politraumatismo. O caso foi qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

A quarta indiciada, Evelyne dos Santos Gonçalves, organizadora do evento, foi denunciada pelo mesmo crime de homicídio com dolo eventual, mas por omissão imprópria. O MP afirmou que, na condição de garantidora da segurança, ela tinha o dever de interromper a atividade diante de condições inadequadas, o que não fez mesmo sabendo de uma falha operacional semelhante ocorrida anteriormente no local.

Acidente anterior com criança

Três meses antes da queda fatal, uma criança de 9 anos sofreu um acidente com a mesma equipe. A denúncia relata que Evelyne tentou eliminar provas relevantes para a investigação ao determinar a localização da câmera GoPro usada pela vítima durante a queda para excluir as gravações. O equipamento permanece desaparecido, e ela é acusada também de fraude processual.

Próximos passos e valor de reparação

O MP pediu à Justiça que fixe em R$ 200 mil a reparação pelos danos causados e requereu a manutenção da prisão preventiva dos três homens, bem como a conversão da prisão temporária da organizadora em preventiva. Agora, a Justiça analisará se aceita ou não a denúncia. Se aceita, será realizada uma audiência de instrução para ouvir os réus e definir se eles vão a júri popular. Os presos são investigados; nenhum deles foi condenado até o momento.

Defesa dos acusados

A defesa de Maicon Fernandes e Luis Felipe informou que discorda da denúncia do MP. Segundo a defesa, os integrantes não tiveram a intenção de matar a vítima ou assumiram o risco da conduta. "A defesa discorda ainda, das qualificadoras constantes na denúncia e demonstrará em Juízo a conduta culposa dos Réus, sem incidência de quaisquer qualificadoras para o crime", escreve o advogado Rafael Gomes dos Santos.

A defesa de Evelyne informou que já teve acesso à denúncia e que vai se pronunciar em momento oportuno. O g1 tenta contato com a defesa de Vitor de Freitas.

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