Monique Medeiros afirmou, nesta terça-feira, durante seu interrogatório no julgamento pela morte de Henry Borel, que tentou compreender os sinais apresentados pelo filho nos meses que antecederam sua morte, mas que ninguém ao seu redor levantou a hipótese de que o menino pudesse estar sofrendo agressões. Ela disse, ainda, que chegou a enviar à direção da escola do garoto uma mensagem pedindo um acompanhamento mais reforçado diante dos comportamentos “amuados” de Henry. Na mensagem, ela escreveu: “Estou tentando de tudo, mas sinto que estou falhando em algo; me ajude a identificar se tiver algo”.
Monique relata busca por ajuda
— Eu tentei de tudo, mas ninguém falava nada. Como que eu ia saber? Como que eu ia descobrir? — declarou Monique aos jurados. Chorando, ela disse à juíza Elizabeth Machado Louro que buscou ajuda para compreender as mudanças de comportamento de Henry e afirmou que atribuía os sinais às transformações que o menino vivia naquele período, como a separação dos pais, a mudança de escola e a adaptação a uma nova casa. Segundo a ré, pessoas próximas e profissionais com quem conversava tratavam as reações da criança como algo compatível com aquele contexto.
Confiança em Dr. Jairinho
Monique também voltou a dizer que confiava no ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, com quem se relacionava à época, e que não tinha conhecimento, àquela altura, de relatos de violência que mais tarde seriam atribuídos a ele por ex-companheiras e testemunhas. — Para mim ele era médico. Eu não ia imaginar uma coisa dessa de um médico, confiava no Jairo. Eu não imaginava que ele pudesse fazer alguma coisa com o Henry — afirmou.
Ela afirmou ainda que decidiu colocar o filho em acompanhamento psicológico por acreditar que ele estava sofrendo com as mudanças na rotina. Em depoimento anterior, Monique relatou uma conversa com Henry na qual o menino disse: “Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama”.



