A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro perdeu o direito ao salário de R$ 46 mil mensais que recebia como professora do curso de Direito do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF). A decisão foi proferida pela Justiça do Trabalho, que considerou a contratação irregular e determinou a suspensão imediata do pagamento.
Decisão judicial suspende pagamento
O juiz responsável pelo caso entendeu que a contratação de Michelle Bolsonaro como docente na instituição de ensino superior não seguiu os trâmites legais. A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que apontou indícios de irregularidades no processo seletivo e na nomeação da ex-primeira-dama.
Segundo a denúncia, Michelle Bolsonaro foi contratada sem a devida publicidade do edital e sem a realização de concurso público, o que viola os princípios da administração pública. O MPT também destacou que o salário de R$ 46 mil era incompatível com a carga horária e as atribuições do cargo.
Defesa alega perseguição política
A defesa de Michelle Bolsonaro afirmou que a decisão é injusta e que a contratação ocorreu de forma transparente, dentro da legalidade. Em nota, os advogados da ex-primeira-dama declararam que vão recorrer da sentença. "A decisão é mais um ato de perseguição política contra a família Bolsonaro. Michelle sempre atuou com ética e dentro da lei", diz o texto.
O UDF, por sua vez, informou que respeita a decisão judicial, mas também estuda os recursos cabíveis. A instituição destacou que Michelle Bolsonaro possui formação acadêmica e experiência profissional para exercer o cargo de professora.
Impacto financeiro e político
A perda do salário de R$ 46 mil representa um impacto financeiro significativo para a ex-primeira-dama. Durante o período em que recebeu o benefício, Michelle Bolsonaro embolsou cerca de R$ 500 mil, segundo cálculos do MPT. O valor pode ter que ser devolvido aos cofres públicos, caso a decisão seja mantida em instâncias superiores.
Politicamente, o caso reforça as críticas da oposição ao governo Bolsonaro, que apontam irregularidades em nomeações de familiares e aliados. O MPT já investiga outras contratações suspeitas em órgãos públicos e instituições privadas que mantêm convênios com o governo.



