O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal acesse dados dos celulares do senador Jacques Wagner (PT-BA) e do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. A decisão, proferida em 17 de junho, teve o sigilo levantado pelo ministro nesta quinta-feira (30). A medida busca avançar nas investigações, já que o grupo investigado realizava 'tratativas sensíveis' principalmente por chamadas de voz, áudios ou encontros presenciais, conforme informações da PF.
Autorização e contexto da investigação
A autorização atende a um pedido da Polícia Federal, que apontou que o acesso aos dados dos celulares pode fornecer elementos cruciais para a apuração. A investigação envolve supostas irregularidades que necessitam de esclarecimento, e a PF destacou a natureza sensível das comunicações entre os envolvidos. A decisão de Mendonça permite que os peritos da PF extraiam informações dos aparelhos, incluindo mensagens, registros de chamadas e áudios, respeitando os limites legais.
Risco de vazamento e pedido de audiência
Ao autorizar a medida, Mendonça mencionou o risco de vazamento das investigações. Segundo o ministro, no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos de busca e apreensão e monitoramento dos celulares (9 de junho de 2026), seu gabinete recebeu um pedido de audiência de um dos alvos da operação. 'Quanto ao ponto, impende realçar a ocorrência de fato que agudiza os riscos de vazamento indevido da operação no presente caso. Trata-se de solicitação de audiência, por parte de um dos investigados, recebida pelo meu gabinete, enquanto Ministro relator do caso, no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal relacionadas à presente fase investigativa, inclusive em horário anterior à distribuição de algumas das representações formuladas', afirmou Mendonça em sua decisão.
A TV Globo apurou que a reunião foi solicitada pelo senador Jacques Wagner. Esse episódio aumentou a preocupação com a integridade das apurações, levando o ministro a autorizar o acesso aos dados dos celulares como forma de evitar a perda de provas.
Próximos passos da investigação
Com a autorização, a Polícia Federal poderá avançar na análise dos dados extraídos, buscando confirmar ou descartar as suspeitas iniciais. A investigação segue sob sigilo, mas o levantamento do sigilo da decisão permite maior transparência sobre os procedimentos adotados. A defesa de Jacques Wagner e de Augusto Lima ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.



