O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Complexo Penitenciário da Papuda preste esclarecimentos, em até 48 horas, sobre a abordagem feita por policiais penais ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O despacho foi assinado nesta segunda-feira, 22, e exige a identificação dos envolvidos.
Defesa relata abordagem sem advogados
Em petição encaminhada ao gabinete de Mendonça, a defesa de Antunes relatou que policiais penais realizaram questionamentos informais ao empresário dentro da prisão, sem agendamento e sem a presença dos advogados. Entre os temas abordados, estava a possibilidade de o preso firmar acordo de colaboração premiada. Os agentes teriam insistido por uma hora neste tema.
Segundo a CNN, o episódio teria ocorrido na semana passada, quando Antunes foi retirado da cela e levado a uma sala do presídio.
Contexto da prisão e desvios milionários
Antunes está preso preventivamente desde 12 de setembro de 2024. Ele foi um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril. De acordo com a Polícia Federal, pessoas e empresas relacionadas ao lobista receberam R$ 48,1 milhões de associações suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados, além de R$ 5,4 milhões de empresas ligadas a essas entidades, totalizando R$ 53,5 milhões em desvios.
Em depoimento à CPMI do INSS, o empresário negou participação no esquema. Classificou a prisão como “medida extremamente grave, baseada em premissa absolutamente equivocada” e atribuiu as denúncias a “mentira, inveja e calúnia” de um ex-parceiro comercial.



