Mendonça autoriza inquérito contra Lulinha por tráfico de influência
Mendonça autoriza inquérito contra Lulinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação, solicitada pela Polícia Federal (PF), apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção. Mendonça foi sorteado relator do caso.

A medida ocorre em meio a pressões da oposição e críticas dentro do próprio STF sobre a ausência de uma apuração específica contra Lulinha, enquanto os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo, eram alvo de investigações. A PF, após não encontrar irregularidades contra Lulinha no escândalo do INSS, detectou indícios de que ele teria atuado para favorecer o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negociações com órgãos federais, especialmente o Ministério da Saúde.

O inquérito e as suspeitas

O pedido da PF ao STF, revelado pela Folha de S. Paulo e confirmado pelo g1, baseia-se na suspeita de que Lulinha e Careca do INSS tiveram negócios na área de cannabis medicinal. Careca tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol, mas o contrato não foi concretizado. Lulinha é suspeito de ter intermediado encontros de Careca com autoridades do ministério. A defesa de Lulinha nega qualquer participação.

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Segundo investigadores, a PF identificou que o lobista contratou a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal junto ao governo em nome da empresa World Cannabis, de propriedade de Careca. A defesa de Roberta afirma que jamais repassou valores a Lulinha.

Defesa de Lulinha reage

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, classificou o novo inquérito como "pesca probatória". "Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", afirmou Carvalho.

A defesa também confirmou que Lulinha viajou a Portugal com Careca do INSS em novembro de 2024 para visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas sustenta que não houve negócios entre eles. "Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu qualquer contrato", disse Carvalho.

Repercussão política e quebra de sigilo

A oposição ao governo Lula vinha cobrando a abertura de investigações contra Lulinha, enquanto a PF investigava Flávio e Eduardo Bolsonaro. A pressão aumentou com críticas internas no STF. O presidente Lula afirmou que, se comprovadas irregularidades, seu filho deve ser investigado.

Dados revelados por quebra de sigilo mostram que Lulinha realizou 1,5 mil transações bancárias e movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026, informações que ampliam o escopo das suspeitas.

Em nota ao g1, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa (Berger), que recebeu Careca do INSS na pasta, afirmou que a agenda ocorreu conforme suas atribuições e que não houve orientação externa. "Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política", disse Berger.

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