Mãe de vítima de feminicídio em SP nega relacionamento com suspeito
Mãe de vítima de feminicídio nega relação com suspeito

A mãe da corretora de imóveis Geiza Soares, de 35 anos, assassinada a facadas em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, afirmou que a filha não teve um relacionamento com o principal suspeito, Vinícius Brito, de 31 anos. Segundo Maria Alves Patez, Geiza dizia ser perseguida pelo homem, que era 'obcecado' por ela e não aceitava a rejeição. A vítima temia que ele cometesse algum crime. A Justiça decretou a prisão temporária de Vinícius, que permanecia foragido até a publicação desta reportagem.

Perseguição e medo constante

'Ela falava assim: 'mãe, esse Vinícius está me perturbando, mãe, ele vai acabar fazendo alguma coisa comigo'. Ela fugia dele, dizia que não era dele, só que ele era obcecado por ela. A parte pior foi essa', disse a mãe. Os dois se conheciam havia seis meses, mas Geiza nunca aceitou um relacionamento amoroso, de acordo com a família.

Familiares e amigos se despediram de Geiza nesta segunda-feira (6), no Cemitério de Itaquera. A irmã, Larissa Soares, desabafou: 'A Geiza gostava de viver, de viajar, de curtir, de passear. Ele não tinha e nunca teve o direito de fazer isso. Ele não podia ter tirado ela de mim, da minha família, da filha dela'.

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Crescimento alarmante dos feminicídios em SP

A morte de Geiza integra uma estatística crescente de feminicídios no estado de São Paulo. Entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 125 feminicídios, um aumento de quase 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados acendem um alerta para as autoridades e a sociedade.

Cadastro Nacional de Condenados por Violência contra a Mulher

Para ajudar no combate a esses crimes, começa a valer ainda neste mês o Cadastro Nacional de Condenados por Violência contra a Mulher. A proposta é reunir informações para facilitar o acesso ao histórico de condenações do agressor. A promotora de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo, Vanessa Almeida, explicou: 'A ideia desse cadastro é isso, é diminuir a reiteração, é diminuir os casos de violência, mas ele, sozinho, não pode ser visto como uma bala de prata, que vai resolver todos esses problemas. A violência contra a mulher é um problema complexo, então a gente precisa de ações da polícia, do Ministério Público e do Judiciário'. Ela complementou: 'Nós temos que trabalhar com uma somatória de medidas pra que a gente consiga dar conta desse fenômeno'.

Dor e saudade

Sem conseguir compreender a dimensão da perda, a mãe de Geiza disse que agora tenta lidar com a ausência da filha. 'Eu vou lembrar dela... Toda hora ela vindo aqui tomar café em casa de manhã cedo. Ela tomava café aqui, saía da casa dela e vinha pra cá. Essa parte é a parte pior.'

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