Zucman: 'Ninguém deve tolerar que bilionários paguem menos que classe média'
Zucman defende imposto global de 2% sobre bilionários

O economista francês Gabriel Zucman lança no Brasil a edição de seu novo livro 'Os bilionários não pagam imposto de renda e nós vamos acabar com isso', no qual defende um imposto mínimo global de 2% sobre a riqueza dos bilionários. Em entrevista exclusiva, Zucman afirma que 'ninguém deve tolerar que bilionários paguem menos imposto que a classe média' e vê a proposta ganhar força com a votação na Califórnia, prevista para novembro. Para ele, nem mesmo Donald Trump poderia impedir o avanço da medida.

Urgência com a ascensão de Elon Musk

Zucman destaca que a ascensão de Elon Musk como o primeiro trilionário do mundo evidencia a urgência da taxação. 'A concentração de riqueza atingiu níveis históricos, e o poder político dos ultrarricos ameaça a democracia', alerta. O economista critica a redução tributária sobre o capital nas últimas décadas, que beneficiou desproporcionalmente os mais ricos.

Proposta ganha força na Califórnia

A proposta de Zucman já é discutida em âmbito internacional. Na Califórnia, uma iniciativa popular que prevê imposto adicional sobre grandes fortunas será votada em novembro. Zucman acredita que, independentemente de quem vença as eleições presidenciais dos EUA, a pressão popular tornará a taxação inevitável. 'Nem Trump pode impedir', afirma.

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Impacto na democracia

No livro, Zucman argumenta que a falta de tributação sobre os super-ricos permite que eles acumulem poder político desproporcional, influenciando eleições e políticas públicas. 'A democracia está em risco quando uma pequena elite pode comprar influência', escreve. O economista defende que o imposto mínimo global de 2% poderia gerar centenas de bilhões de dólares anuais, que poderiam ser usados para financiar saúde, educação e transição energética.

Reações e críticas

A proposta de Zucman já enfrenta resistência de setores conservadores e de parte do empresariado, que a consideram confiscatória. No entanto, o economista rebate: 'Não se trata de punir o sucesso, mas de garantir que todos contribuam de forma justa'. Ele cita dados da OCDE que mostram que a alíquota efetiva de impostos dos bilionários é frequentemente menor que a de um trabalhador de classe média.

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