Mãe de menino de 3 anos morto espancado pelo pai é presa por omissão
Mãe de menino espancado pelo pai é presa por omissão

A mãe de Oliver Golden Grayson, menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai, também foi presa. Mayanna Angelina Rodgers foi detida preventivamente nesta quinta-feira (9) sob acusação de omissão. A prisão ocorreu após o Conselho Tutelar Rural de Viamão enviar um relatório à Justiça, em 7 de julho, apontando que os irmãos da vítima apresentavam lesões compatíveis com agressões físicas reiteradas e relataram violência atribuída ao pai, Dandre Jermaine Grayson.

Relatório do Conselho Tutelar revela histórico de violência

De acordo com o documento, os outros quatro filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional depois do caso. Durante os atendimentos, os profissionais perceberam "marcas de agressão" nas crianças. No dia 6 de julho, um dia após Oliver ser internado no hospital, os irmãos foram levados ao Departamento Médico-Legal para exames periciais. A perícia constatou "diversas lesões e marcas decorrentes de agressões físicas", indicando um contexto de violência contínua no ambiente familiar.

O relatório também afirma que uma das crianças apresentava diversas marcas pelo corpo, inclusive lesões compatíveis com mordidas. Nesse momento, o irmão mais velho afirmou espontaneamente: "Aquilo ali é a mordida que o pai dá. Ele morde a gente." A fala ocorreu "sem qualquer induzimento por parte dos profissionais presentes", segundo o documento.

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Comportamento de medo e controle

O mesmo irmão demonstrava resistência em permitir a avaliação do próprio corpo e tentava impedir as outras crianças de exibirem lesões ou relatarem fatos. O relatório aponta ainda que o menino demonstrava "intenso temor em relação ao genitor" e reproduzia comportamentos de controle e intimidação semelhantes aos atribuídos ao pai. Ele dizia reiteradamente que "só fazia o que ela mandava", em referência à mãe.

O Conselho Tutelar passou a acompanhar a família em novembro de 2025 e recebeu informação de que as crianças já haviam ficado acolhidas institucionalmente por cerca de quatro meses em Palmitos, Santa Catarina, por situação de violência. Na ocasião, Oliver, então com aproximadamente um ano e meio, teria sido vítima de agressões físicas.

O crime e a investigação

A Polícia Civil afirma que Oliver foi espancado pelo próprio pai em Viamão. O missionário norte-americano confessou o crime e está preso desde domingo (5). Em depoimento, ele disse que a motivação foi o filho não lhe ter dado "bom dia". A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação, relatou que o homem desferiu socos no peito e no abdômen da criança, além de bater a cabeça do menino contra o chão. O crime ocorreu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.

Oliver estava internado em estado gravíssimo na UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira (8). O próprio agressor levou o menino ao hospital de Viamão no domingo. Devido à gravidade dos ferimentos, ele foi transferido para a capital. A equipe médica acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar ao constatar as múltiplas lesões. O norte-americano foi preso em flagrante no hospital. Na segunda-feira (6), a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.

Defesa da mãe alega vulnerabilidade

Em nota, a defesa de Mayanna afirma que ela "é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente". A mulher tem dupla cidadania (norte-americana e japonesa) e nasceu no Japão. A família vive no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses. A defesa diz estar colaborando com as autoridades e confia no devido processo legal.

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