O médico Rubens Mendonça Júnior, que atropelou e matou duas pessoas na Avenida T-63, em Goiânia, em abril de 2023, firmou um acordo com a Justiça. Pelo termo, ele pagará uma indenização total de R$ 591 mil às vítimas e suas famílias, além de uma contribuição a uma instituição de caridade. Com o acordo, Rubens confessou a autoria dos crimes e não será submetido a julgamento.
Detalhes do acordo
Segundo a TV Anhanguera, o valor da indenização será distribuído entre as famílias das vítimas fatais e os feridos, além de uma doação para uma entidade beneficente. A defesa do médico, representada pelos advogados Marcos Sérgio Santos Moura e Rafael Cardoso, informou que a formalização do acordo ocorreu dentro dos parâmetros legais, com homologação judicial. Em nota, os advogados destacaram que o acordo foi realizado com a participação dos familiares das vítimas e que não fornecerão mais detalhes por respeito às normas processuais e à privacidade dos envolvidos.
Mudança na classificação do crime
O advogado Rodrigo Lustosa, que atuou como assistente de acusação da família de Leandro Fernandes Pires, uma das vítimas fatais, explicou ao g1 que houve a desclassificação do crime de homicídio doloso (com intenção de matar) para homicídio culposo (sem intenção). Essa reclassificação permitiu a celebração de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) entre o autor e o Ministério Público. Lustosa afirmou que, apesar do acordo, mantém a convicção de que houve intenção nos crimes e que a assistência de acusação esgotou os recursos para tentar reverter a decisão.
Relembre o caso
Na noite de 20 de abril de 2023, Rubens dirigia um Volvo XC40 a 148 km/h na Avenida T-63, onde a velocidade máxima permitida é de 50 km/h. Ele perdeu o controle do veículo e atingiu quatro pessoas. O motorista de aplicativo Leandro Fernandes Pires, de 23 anos, e o garçom David Antunes Galvão, de 21 anos, morreram ao serem arremessados para fora do viaduto. A promotora de vendas Wanderlyne Gomes dos Reis, de 46 anos, que pilotava uma motocicleta, ficou gravemente ferida e passou por cirurgias, enquanto Gilson Campos D'Antônio, que dirigia um carro, teve ferimentos leves.
O Ministério Público, ao denunciar Rubens em junho de 2023, afirmou que ele cometeu os crimes por motivo torpe, demonstrando total desprezo pela vida e integridade das pessoas ao testar a velocidade do carro em local inadequado. O g1 questionou o MP sobre os motivos do acordo, mas não obteve resposta.



