O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, contratou um novo advogado para defendê-lo no caso do empréstimo que recebeu de um lobista investigado na operação que mira o ex-presidente do INSS, Pedro Ramos, conhecido como Careca. A informação foi confirmada por fontes ligadas à defesa.
Contexto do caso
O empréstimo, no valor de R$ 500 mil, foi feito por meio de um contrato particular entre Marcola e o lobista, que atuava em Brasília. O dinheiro teria sido usado para custear despesas pessoais do líder criminoso, que está preso em regime fechado. A transação veio à tona durante as investigações da Operação Faraó, que apura esquema de corrupção no INSS.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o lobista teria recebido vantagens indevidas para facilitar a liberação de benefícios previdenciários. O empréstimo a Marcola seria uma das formas de lavagem de dinheiro, já que o dinheiro teria origem ilícita.
Defesa de Marcola
O novo advogado, que ainda não teve o nome divulgado, já protocolou pedidos de acesso aos autos e deve apresentar manifestação nos próximos dias. Em nota, a defesa anterior afirmou que o empréstimo foi legal e que não há qualquer irregularidade. "O contrato foi firmado de boa-fé e o valor foi devidamente declarado", dizia a nota.
Especialistas ouvidos pelo Globo apontam que a contratação de um novo advogado pode indicar uma mudança na estratégia de defesa. "Marcola pode estar buscando uma abordagem mais agressiva, questionando a legalidade das provas ou a competência do juízo", avaliou o criminalista Alberto Santos.
Repercussão
O caso ganhou repercussão nacional, principalmente por envolver uma das figuras mais temidas do crime organizado brasileiro. A defesa de Marcola tenta desvincular o empréstimo de qualquer atividade criminosa, mas os investigadores afirmam que há indícios suficientes para aprofundar as apurações.
Em 2023, Marcola já havia sido alvo de outras denúncias, mas sempre negou envolvimento em esquemas de corrupção. Agora, com a nova contratação, a expectativa é de que a defesa busque anular as provas obtidas na operação.
Próximos passos
O juiz responsável pelo caso deve decidir nas próximas semanas se aceita a denúncia contra Marcola. Caso seja aceita, ele se tornará réu e poderá ser transferido para um presídio federal, aumentando o isolamento. A defesa já adiantou que vai recorrer de qualquer decisão desfavorável.
A Operação Faraó, que investiga o esquema no INSS, já resultou na prisão de mais de 20 pessoas, incluindo servidores públicos e empresários. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 100 milhões.



