Leilão de água e esgoto vira pivô de disputa política em RO
Leilão de água e esgoto vira pivô de disputa em RO

Leilão de concessão de água e esgoto em Rondônia gera impasse

O leilão da concessão dos serviços de água e esgoto em Rondônia, previsto para setembro de 2026, tornou-se o centro de uma disputa política entre o governo estadual e a prefeitura de Porto Velho. O governo estadual estima que o contrato pode movimentar R$ 5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos. No entanto, a prefeitura alega que o modelo proposto prejudica o município, que responde por cerca de 60% da população atendida pelo sistema.

Governo estadual defende modelo unificado

O governo de Rondônia, sob a gestão do governador Marcos Rocha (União Brasil), defende a concessão unificada para todo o estado, argumentando que isso atrai mais investidores e garante eficiência. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, José Augusto, “a unificação permite ganhos de escala e tarifas mais baixas para a população”. O edital prevê a universalização do acesso à água tratada até 2033 e à coleta de esgoto até 2038.

Atualmente, apenas 45% da população de Rondônia tem acesso a rede de esgoto, e 75% a água tratada, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

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Prefeitura de Porto Velho contesta valores e prazos

A prefeitura de Porto Velho, comandada pelo prefeito Hildon Chaves (PSDB), questiona o valor mínimo da outorga, fixado em R$ 250 milhões, e o prazo de 35 anos. Em nota, a prefeitura afirma que “o leilão subestima o potencial de arrecadação do município e impõe prazos incompatíveis com a realidade local”. A administração municipal propõe uma concessão separada para Porto Velho, o que foi rejeitado pelo governo estadual.

O impasse levou a prefeitura a ingressar com uma ação popular na Justiça Federal, pedindo a suspensão do leilão. A ação alega que o edital não respeita a Lei de Licitações e que estudos de viabilidade econômica foram insuficientes.

Setor privado e especialistas opinam

Empresas do setor de saneamento, como a Aegea e a BRK Ambiental, manifestaram interesse no leilão, mas condicionam a participação à resolução do impasse jurídico. Especialistas em direito administrativo apontam que a briga entre estado e município pode atrasar investimentos essenciais. “A indefinição judicial afasta investidores e retarda a melhoria dos serviços”, afirma o advogado especialista em concessões públicas, Carlos Eduardo de Oliveira.

O governo estadual, por sua vez, confia na legalidade do processo e espera que a Justiça negue o pedido de suspensão. O leilão está marcado para 15 de setembro de 2026, na sede da B3, em São Paulo.

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