Diarista vira ré pela morte de casal de idosos em BH
Justiça torna ré diarista acusada de matar casal em BH

A Justiça de Minas Gerais acatou, nesta sexta-feira (31), a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, e a tornou ré. Ela é acusada de matar um casal de idosos em um apartamento de luxo no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A decisão converteu a suspeita em ré pelos crimes de dois latrocínios, fraude processual e furto mediante fraude.

O dono de um restaurante, apontado pela investigação como o estabelecimento onde os cartões bancários das vítimas foram usados após a morte do casal, também virou réu na mesma ação, respondendo por furto mediante fraude.

O que diz a denúncia

Segundo o Ministério Público, Paola foi contratada para realizar uma faxina no imóvel das vítimas. Ela teria colocado clonazepam, um medicamento de uso controlado, em um suco consumido pelo casal. Com as vítimas sob efeito da substância, a diarista passou a recolher dinheiro e objetos de valor. Em determinado momento, o idoso acordou e tentou reagir. A suspeita, então, pegou uma faca na cozinha e o atacou. A idosa também foi morta durante a ação.

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O casal foi localizado sem vida no dia 29 de junho, no apartamento em que morava. A Polícia Civil tratou o caso como latrocínio desde o início. A diarista havia sido indicada para o trabalho por um primo de Maria Clotilde, uma das vítimas. O familiar informou que Paola prestava serviços em sua casa havia meses e nunca havia gerado desconfiança.

Tentativa de atrapalhar a perícia

De acordo com a investigação, após o crime, Paola adotou uma série de medidas para dificultar o trabalho da perícia. Ela limpou os vestígios deixados no imóvel, lavou a faca usada nos ataques e descartou roupas manchadas de sangue. Essa conduta deu origem ao crime de fraude processual, que consiste em alterar a cena do crime para induzir a erro peritos e investigadores.

A diarista também utilizou os cartões bancários das vítimas após a morte delas. O uso dos cartões em um restaurante foi rastreado pela Polícia Civil, o que levou à identificação do proprietário do estabelecimento. Ele foi denunciado por furto mediante fraude, por ter supostamente aceitado pagamentos com os cartões das vítimas, ciente da origem ilícita.

Reconstituição do caso

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada da diarista por volta das 7h30. A Polícia Civil apontou que o crime ocorreu entre 12h30 e 15h. O intervalo foi definido com base na última conversa de uma das vítimas: às 12h25, Cláudio Atala conversou por telefone com um familiar. A partir daí, não houve mais contato com o casal.

Depois de matar as duas vítimas, a suspeita tomou banho no apartamento, trocou de roupa e reuniu dinheiro, joias, relógios, celulares, cartões e outros objetos de valor. Ela deixou o prédio carregando bolsas e sacolas, sem chamar a atenção dos vizinhos.

Prisão e andamento do processo

Paola Stefany foi presa em 2 de julho, em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas Gerais. A prisão foi realizada pela Polícia Civil, que já tinha indícios fortes de seu envolvimento no latrocínio. Em 13 de julho, o inquérito foi concluído, com o indiciamento da diarista por dois latrocínios, fraude processual e furto mediante fraude. O dono do restaurante também foi indiciado.

No dia 29 de julho, o Ministério Público ofereceu a denúncia contra os dois acusados. Nesta sexta-feira, a Justiça recebeu o documento e os transformou em réus. Com isso, eles passam a responder a uma ação penal, na qual poderão apresentar defesa e produzir provas.

Penas possíveis

Se condenados, os acusados poderão receber penas que, somadas, ultrapassam 30 anos de prisão. O latrocínio, roubo seguido de morte, tem pena prevista de 20 a 30 anos de reclusão por cada vítima. Já a fraude processual tem pena de um a dois anos de detenção, e o furto mediante fraude, de um a quatro anos de reclusão. A soma das penas dependerá da decisão do juiz no julgamento.

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