A terceira audiência de instrução do caso do juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, acusado de atropelar e matar a ciclista Thais Bonatti, de 30 anos, ocorreu em 17 de julho de 2026, de forma 100% online, com duração de aproximadamente sete horas. Na sessão, o juiz responsável ouviu duas testemunhas de defesa e interrogou os dois réus: o ex-magistrado e a acompanhante dele, Carolina Silva de Almeida. O delegado que instaurou o inquérito foi convocado, mas não compareceu.
Depoimentos dos réus
Em seu depoimento, Fernando confirmou que passou a noite em uma boate com mulheres, para as quais realizou pagamentos, mas negou o consumo de bebida alcoólica. Ele classificou a rotatória onde ocorreu o atropelamento como um local de risco para acidentes e negou que Carolina estivesse em seu colo enquanto dirigia a caminhonete. Carolina, por sua vez, afirmou que conheceu Fernando por um aplicativo e negou que ele tenha pedido que ela assumisse a direção. Ela disse que permaneceu com o acusado até o acerto de contas na boate e que ele ofereceu carona até sua casa.
Relembre o caso
O atropelamento ocorreu em 24 de julho de 2025, na rotatória da Avenida Waldemar Alves, em Araçatuba (SP). Thais seguia de bicicleta para o trabalho quando foi atingida pela caminhonete dirigida por Fernando. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), ele havia saído de uma boate e, após o atropelamento, foi submetido a exame clínico que atestou embriaguez. Ele foi preso por lesão corporal culposa, mas pagou fiança de R$ 40 mil e responde ao processo em liberdade, com a habilitação suspensa.
Imagens de câmeras de segurança flagraram o veículo circulando na contramão antes do atropelamento. A perícia indicou que a caminhonete atingiu a ciclista sem reação de frenagem, sugerindo que a visão do motorista estava encoberta. Testemunhas e investigação apontaram que Carolina estava praticamente nua, sentada no colo de Fernando no momento do impacto.
Mudança para homicídio doloso
Com a morte de Thais, ocorrida em 26 de julho de 2025, o promotor Adelmo Pinho denunciou o ex-juiz e a passageira por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, com a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. Para o MP, Carolina contribuiu diretamente ao sentar-se no colo do motorista com o veículo em movimento, potencializando o risco. A Justiça aceitou a denúncia, e ambos se tornaram réus por homicídio doloso.
Versões conflitantes
Em entrevista à TV TEM em novembro de 2025, Fernando negou estar embriagado, afirmando ter consumido apenas duas cervejas e doses de tequila, o que não alterou seus sentidos. Ele disse não se lembrar do exato instante do atropelamento e, ao ver as imagens, afirmou que Thais surgiu por um "ponto à esquerda", justificando não tê-la avistado. A versão foi rebatida pelo irmão da vítima, William Aparecido de Andrade: "Ele fala que não viu, obviamente que ele não viu mesmo a minha irmã. Com uma pessoa dirigindo com outra pessoa no colo, não se tem visão nenhuma. Não faz sentido, ele realmente não viu mesmo, não existe 'ponto cego' ali".



