A Justiça de São Paulo decidiu manter a liminar que determinou a permanência provisória do filho da advogada Karina Kufa com o pai, Amilton Augusto da Silva Júnior. A decisão foi assinada pelo juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, da 12ª Vara da Família e Sucessões do Foro Central Cível da capital. A advogada perdeu a guarda do filho após se casar com Thiago Brennand, de quem é responsável pela defesa em processos criminais. Ele está preso desde 2023, condenado em diferentes ações penais.
Manifestação do Ministério Público
Na última semana, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou contra a mudança na guarda da criança. No parecer, o promotor Jefferson Leandro de Almeida afirmou que o casamento da mãe com uma pessoa presa e condenada "não caracteriza, por si só, inaptidão para o exercício da guarda nem risco concreto e atual à criança". O órgão também destacou que não havia, nos autos, provas de contato atual ou iminente entre o menino e Brennand. Apesar de ser contra a liminar que retira a guarda do filho de Karina Kufa, o MPSP é favorável à proibição de qualquer contato direto ou indireto entre o menor e Brennand.
Decisão judicial e próximos passos
O juiz Eduardo Palma Pellegrinelli afirmou que a análise definitiva da liminar dependerá da manifestação da defesa e da produção de novas provas. Até lá, a decisão anterior permanece integralmente em vigor. A defesa de Karina Kufa contesta a decisão, alegando que não há provas concretas de que o casamento represente risco ao menino. A defesa sustenta que a própria decisão judicial reconheceu a necessidade de produção de prova técnica, ao determinar estudo psicossocial para avaliar qual arranjo atende melhor aos interesses da criança. Segundo a advogada, haveria uma contradição em alterar a guarda antes da conclusão dessa avaliação.
Argumentos da defesa
Karina também afirma que o pai utilizou de forma seletiva um laudo psicológico produzido em 2022. Segundo a defesa, o documento concluiu que ambos os genitores eram aptos ao exercício do poder familiar, recomendou a manutenção da guarda compartilhada e não identificou sinais de violência doméstica contra a criança. Outro argumento apresentado é que a mudança de Brasília para São Paulo — fator que a Justiça manifestou preocupação — já estava sendo planejada antes do ajuizamento da ação. A defesa anexou documentos que, segundo afirma, demonstram a busca por imóvel, a organização da mudança e tratativas para matrícula do menino em uma escola da capital paulista. A manifestação ainda cita o parecer do MP para sustentar que a retirada da criança do convívio materno pode ter produzido exatamente o efeito que se pretendia evitar: uma ruptura abrupta da rotina, da escola e dos vínculos já estabelecidos.
Quem é Karina Kufa?
A advogada Karina de Paula Kufa ganhou projeção nacional ao integrar a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Especialista em direito eleitoral, ela também costuma compartilhar nas redes sociais publicações sobre a fé cristã. Karina passou a integrar a equipe jurídica de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e permaneceu como uma de suas principais advogadas nos anos seguintes, atuando principalmente em questões eleitorais e partidárias.
Ao longo da carreira, a advogada também atuou para o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, investigado por suspeitas de uso da corporação nas eleições de 2022, e para Marcelo Queiroga, o ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro. Ela ainda trabalhou na defesa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Em uma publicação nas redes sociais no ano passado, afirmou que a relação entre os dois vai além da profissional. "Eduardo não é apenas um cliente, mas um amigo leal e verdadeiro. Não é à toa que carrego tantas boas lembranças, algumas eternizadas em fotos. Ele não é daqueles que se deixam influenciar, mas sim alguém que inspira e lidera. Seu carisma singular, sua capacidade de diálogo e sua habilidade de apaziguar conflitos fazem dele um verdadeiro líder", escreveu.
Atuação profissional e fé
Segundo informações divulgadas por ela em seu perfil no LinkedIn, Karina é fundadora do escritório Kufa Advocacia, diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral. No perfil, ela informa ainda ter pós-graduação em Direito Administrativo pela PUC-SP. A advogada também costuma expor a fé cristã nas redes sociais. Em diversas publicações, demonstra admiração pela bispa Sônia Hernandes, fundadora da Igreja Renascer em Cristo e uma das idealizadoras da Marcha para Jesus. Segundo Karina, foi a própria líder religiosa quem realizou seu batismo. "Foi ela quem me batizou. E, desde então, me acompanha com constância, discernimento e coragem em ciclos de lutas duras e grandes vitórias. Não como espectadora, mas como quem entende que liderança verdadeira exige presença, firmeza e propósito. Posso afirmar que seu exemplo de mulher e os ensinamentos que me passou sobre a vida e a palavra de Deus me fizeram uma mulher muito melhor", escreveu em uma publicação no Instagram.
Em maio, após a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do ministro André Mendonça na vice-presidência da Corte, Karina publicou uma foto dos magistrados desejando sucesso. "Em um momento desafiador para a Justiça Eleitoral, a posse de ambos representa mais do que uma mudança na composição da Corte: simboliza experiência, responsabilidade e compromisso com a democracia brasileira. Que esta nova missão seja conduzida com a mesma grandeza que os trouxe até aqui", escreveu.
Casamento com Thiago Brennand e perda da guarda
Atualmente, Karina integra a defesa de Thiago Brennand, com quem se casou no dia 2 de julho deste ano. Ele responde e já foi condenado em diferentes ações penais por crimes contra mulheres, incluindo acusações de estupro e agressão. No processo sobre a guarda do filho de Karina, o juiz afirmou que as acusações contra Brennand são "extremamente graves" e envolvem "requintes de crueldade", inclusive contra o próprio filho. Segundo o processo, a guarda da criança é compartilhada e a casa de referência havia sido fixada com a mãe por acordo aprovado em 19 de março de 2026. Na decisão, o magistrado afirma que Karina Kufa se casou no começo de julho com Brennand.
O juiz registra que Brennand é acusado da prática de diversos crimes contra diferentes vítimas, conforme sua folha de antecedentes, e afirma que as acusações atribuídas a ele são "extremamente graves" e envolvem "requintes de crueldade", inclusive contra o próprio filho. A decisão também menciona que as acusações envolvendo mulheres com quem Brennand se relacionou tiveram ampla divulgação na mídia. Diante do contexto, o magistrado afirma ser "razoável questionar se a manutenção do domicílio de referência materno atende os melhores interesses da criança".
Segundo a decisão, a questão ainda depende da instauração do contraditório, da produção de provas e da análise do pedido de tutela de urgência. Mesmo assim, o juiz entendeu que a gravidade potencial dos fatos narrados justificava uma medida imediata para resguardar a criança. Por isso concedeu liminar provisória e temporária determinando que, ao fim do período de convivência paterna durante as férias, o menino permaneça com o pai e não retorne ao domicílio materno. Além disso, foi determinada a realização de perícia psicológica para avaliar se o pai e sua companheira têm condições de suprir as necessidades da criança e se a alteração do domicílio de referência para a residência paterna atende ao melhor interesse do menor.



