Com 116 anos de história, o Bar Guanabara atravessou diferentes fases da cidade de São Paulo sem perder sua identidade. Fundado em 1910, o tradicional endereço do Centro paulistano continua em atividade, consolidando uma trajetória de mais de um século.
Fundação e mudança de endereço
O Guanabara foi fundado pela família do imigrante Ângelo Martinez. Originalmente, o bar funcionava na Rua Boa Vista, próximo ao Largo de São Bento. Em 1968, o imóvel original foi desapropriado para dar lugar às obras da Estação São Bento do Metrô. Foi então que o empresário Nelson de Abreu Pinto, frequentador assíduo do Guanabara, decidiu manter o bar em funcionamento. Ele adquiriu a marca da família Martinez e transferiu o estabelecimento para a Avenida São João, no mesmo endereço onde antes funcionavam o restaurante A Brasileira e o histórico Bar e Restaurante Pinguim. Desde então, a casa permanece no local.
Ponto de encontro de artistas e intelectuais
Nas décadas seguintes, o Guanabara consolidou sua fama como ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos. Entre os frequentadores estiveram nomes como Adoniran Barbosa, Mazzaropi, Menotti Del Picchia, Jânio Quadros, Mário Covas, Franco Montoro, Raul Seixas, Elis Regina, Benito Di Paula, Geraldo Vandré e Silvio Caldas.
Desafios e nova fase
Ao longo dos anos, o bar também enfrentou períodos difíceis. A degradação da região central entre o fim da década de 1980 e o início dos anos 2000, seguida pelos impactos da pandemia de Covid-19, colocou desafios para o funcionamento da casa. Atualmente, sob o comando de Edson Pinto, filho de Nelson, o Guanabara aposta na recuperação do Centro e busca iniciar uma nova fase.
Programação cultural e gastronomia
Mesmo com as mudanças, alguns elementos permanecem como marcas registradas do Guanabara. A casa retomou sua programação cultural com apresentações musicais às sextas-feiras durante o almoço, rodas de chorinho e samba aos sábados e o projeto Guanabara Disco, que promove noites com repertório de flashbacks das décadas de 1970 a 2000. Sob a liderança do chef Rafael Spencer, foram criados pratos como o Risoto de Ossobuco à Dr. Nelson, em homenagem a Nelson de Abreu Pinto, e o Nhoque à Adoniran, inspirado no cantor e compositor Adoniran Barbosa.



