Justiça de SP retira tornozeleira da 'Japa do PCC' investigada
Justiça de SP retira tornozeleira da 'Japa do PCC'

A Justiça de São Paulo determinou a retirada da tornozeleira eletrônica da investigada apelidada de 'Japa do PCC', alvo de um inquérito que apura crimes de lavagem de dinheiro. A decisão, proferida na última semana, impõe à investigada outras obrigações processuais, como comparecimento periódico em juízo, proibição de se ausentar da comarca sem autorização e vedação de contato com os demais envolvidos no processo.

O papel da investigada

Conhecida nos meios policiais como 'Japa do PCC', a mulher é apontada como peça-chave em um esquema financeiro que teria movimentado milhões de reais para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com as investigações, ela seria a responsável por administrar contas de empresas de fachada e por fazer a ponte entre doleiros e integrantes da cúpula da organização.

A investigação começou após uma série de quebras de sigilo bancário e fiscal que revelaram movimentações incompatíveis com a renda declarada da suspeita. Os valores, segundo a polícia, eram fracionados e depositados em contas de terceiros, configurando típica prática de lavagem de dinheiro.

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Decisão judicial

A tornozeleira eletrônica foi imposta como medida cautelar no início do inquérito, mas a defesa conseguiu demonstrar que a investigada vinha cumprindo todas as condições estabelecidas e que a manutenção do equipamento não era mais necessária. A decisão judicial também considerou o princípio da proporcionalidade, evitando que a medida se tornasse uma antecipação de pena.

Na decisão, o magistrado destacou que a investigada não apresenta risco à instrução criminal, uma vez que já prestou depoimento e não há indícios de que vá interferir nas provas. O juiz ainda levou em conta a ausência de antecedentes criminais da acusada, apesar de ela ser investigada em outros procedimentos.

Medidas cautelares alternativas

No lugar da tornozeleira, foram impostas medidas previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. Entre elas, a obrigação de comparecer mensalmente ao fórum para justificar atividades, a proibição de acessar redes sociais para tratar de assuntos do processo e a necessidade de informar qualquer mudança de endereço ou de telefone em até 48 horas.

Além disso, a investigada deverá se abster de frequentar locais conhecidos pela prática de crimes ou de se associar a pessoas envolvidas com o PCC. O descumprimento de qualquer uma das medidas poderá levar à revogação do benefício e à prisão preventiva.

Contexto da facção

O PCC, uma das maiores organizações criminosas do Brasil, tem sido alvo de sucessivas operações policiais para desarticular seu núcleo financeiro. Esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo criptomoedas, imóveis e empresas de fachada são constantemente identificados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.

A atuação de mulheres na engrenagem financeira do PCC também tem chamado atenção das autoridades. Muitas vezes, elas são utilizadas para abrir contas e registrar empresas, de modo a dificultar o rastreamento do dinheiro. O caso da 'Japa do PCC' ilustra esse padrão.

Próximos passos

Com a nova decisão, o inquérito segue em andamento. Cabe ao Ministério Público recorrer caso entenda que a retirada do equipamento representa risco à investigação. Especialistas apontam que a substituição da tornozeleira por medidas cautelares demonstra uma tendência do judiciário em buscar alternativas menos gravosas, mas alertam que é necessário um monitoramento rigoroso.

A defesa da investigada comemorou a decisão, afirmando que ela reforça a presunção de inocência. Ainda não há data para a conclusão do inquérito, e novas diligências podem ser solicitadas pela autoridade policial.

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