Justiça de MG aceita recuperação judicial do Grupo Saritur; dívida é de R$ 959 mi
Justiça de MG aceita recuperação do Grupo Saritur; dívida de R$ 959 mi

O Grupo Saritur, um dos maiores conglomerados de transporte de passageiros de Minas Gerais, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça estadual. A decisão, assinada pela juíza Claudia Helena Batista, da 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, abrange mais de 40 empresas do grupo, incluindo Autotrans, Transnorte e Viação Jardins. O passivo total declarado no processo é de R$ 959.753.597.

O que significa a recuperação judicial

A recuperação judicial é um mecanismo legal que permite a empresas em crise financeira renegociar dívidas e manter suas operações enquanto apresentam um plano de reestruturação, evitando a falência. No caso do Grupo Saritur, a decisão judicial visa preservar a continuidade do serviço de transporte, essencial para a população.

Crise agravada pela pandemia

No pedido encaminhado à Justiça, o Grupo Saritur atribui a crise financeira aos impactos da pandemia de Covid-19, que reduziu drasticamente o número de passageiros, ao aumento dos custos operacionais – como combustível, pneus e peças de manutenção – e à recuperação lenta da demanda pelo transporte coletivo. Esses fatores, combinados, levaram ao desequilíbrio financeiro que culminou no pedido de recuperação.

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Medidas determinadas pela Justiça

A decisão da juíza estabelece a suspensão, por 180 dias, de todas as ações e execuções movidas contra as empresas do grupo, período conhecido como stay period. Além disso, foi proibida a apreensão de ônibus, chassis, garagens, oficinas e outros bens considerados essenciais para a prestação do serviço. Segundo a magistrada, a medida busca evitar a interrupção do transporte de passageiros durante o processo.

Outro ponto importante é que os valores recebidos pelas empresas com a operação do transporte deverão ser depositados diretamente em suas contas, garantindo recursos para despesas essenciais, como pagamento de salários, compra de combustível e manutenção da frota. Isso assegura que o serviço continue funcionando enquanto a reestruturação é elaborada.

Próximos passos do processo

O Grupo Saritur terá 60 dias para apresentar à Justiça um plano de recuperação judicial, detalhando como pretende reorganizar as finanças e quitar as dívidas. O documento será analisado pelos credores, que poderão aprová-lo ou rejeitá-lo. Caso o plano não seja apresentado no prazo ou seja recusado, a recuperação judicial poderá ser convertida em falência.

Uma administradora judicial foi nomeada para acompanhar o processo, fiscalizar o cumprimento das determinações da Justiça e atuar como representante dos credores. Para os passageiros, a expectativa é de que o transporte continue funcionando normalmente durante a tramitação, já que a manutenção do serviço foi um dos principais fundamentos considerados pela Justiça ao conceder o pedido.

O g1 entrou em contato com a empresa Saritur e aguarda retorno.

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