A Justiça do Rio Grande do Sul aceitou denúncias em sete processos contra o cirurgião plástico Leandro Fuchs, tornando-o réu. O Ministério Público o acusa de estelionato, falsidade ideológica, concussão e injúria racial, em casos ocorridos entre 2018 e 2023, envolvendo cirurgias realizadas em mulheres.
Investigação aponta irregularidades graves
Segundo a investigação, Fuchs deixava residentes operando em seu lugar sem o conhecimento das pacientes, assinava prontuários como se tivesse realizado os procedimentos e, em alguns casos, cobrava por cirurgias que já haviam sido pagas pelo IPE-Saúde. As vítimas relataram complicações como necroses, infecções e deformações.
A polícia analisou 727 cirurgias realizadas pelo médico e constatou que 481 delas, ou seja, mais de 66%, necessitaram de reparos. Desde o início das investigações, em 2024, foram abertos 97 inquéritos. Além dos sete processos já aceitos, há outras 32 denúncias do Ministério Público e 47 investigações em andamento na Polícia Civil.
Depoimento de coordenadora do MPRS
Carla Carrion Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas do MPRS, destacou o impacto emocional nas vítimas: "Não tem como fazer com que muitas delas hoje consigam se olhar no espelho. Muitas delas chegaram aqui e disseram: 'foram anos e anos que eu economizei dinheiro para fazer a cirurgia, era um sonho e hoje eu estou retalhada, hoje não posso me olhar no espelho'. Esse é o maior dano às vítimas, que tiveram a autoestima destruída."
Crimes imputados e arquivamento de lesão corporal
Fuchs responderá por estelionato e falsidade ideológica, ambos com o agravante de violação de dever profissional, além de concussão, por supostamente exigir vantagem indevida valendo-se do cargo público, e injúria racial contra uma das vítimas. O Ministério Público pediu o arquivamento do crime de lesão corporal, alegando ausência de prova material com base na perícia do Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Carla explicou: "O Ministério Público não ofereceu denúncia, por ora, em relação aos crimes de lesão corporal gravíssima, uma vez que o resultado dos laudos feitos pelo IGP foi no sentido de que não haveria como comprovar que aquela cicatriz, que aquela lesão seja em razão da conduta do médico."
Defesa nega acusações
A defesa de Leandro Fuchs, representada por Nereu José Giacomolli e Caroline Mrack Giacomolli, afirmou que ele não está exercendo a profissão, apesar de autorizado pela Justiça, e que provará sua inocência. Em nota, os advogados declararam: "A defesa irá provar a inocência do Dr. Leandro Fuchs. A perícia já afastou a existência de lesões corporais e o Ministério Público entendeu pelo arquivamento. O Dr. Leandro Fuchs exerce a medicina dignamente há mais de 20 anos, sempre em respeito ao Código de Ética Médica e à legislação em vigor. A investigação dura mais 02 anos e está sendo esvaziada pelas provas periciais e documentais existentes. Ao final, temos a certeza de que o Dr. Leandro Fuchs será absolvido de todas as acusações."
Posicionamento do Cremers e do hospital
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou que abriu uma sindicância, mas o processo corre em sigilo. O Hospital Ernesto Dornelles, onde Fuchs atuava até janeiro de 2024, quando foi afastado, comunicou: "O Dr. Leandro Fuchs não integra mais o corpo clínico do Hospital Ernesto Dornelles e não exerce atividades como cirurgião plástico na instituição. O Hospital permanece à disposição das autoridades competentes, colaborando sempre que formalmente solicitado."



