Júri dos irmãos acusados de matar bicheiro Fernando Iggnácio começa
Júri dos irmãos acusados de matar bicheiro começa

No segundo dia do júri popular contra os irmãos Pedro Emanuel D'onofre Andrade e Otto Samuel D'onofre Andrade, acusados pelo homicídio do bicheiro Fernando Iggnácio, a promotora Andréa Fava, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do Ministério Público, destacou a cooptação de ex-policiais militares pela máfia da contravenção. "Esse é um aspecto nefasto, a cooptação de agentes da lei, que deveriam zelar pela sociedade, pela repressão do crime, agentes que são cooptados pela grande máfia da contravenção, do capo Rogério Andrade, que responde como mandante deste crime em outro processo", afirmou a promotora.

Antecedentes do crime

Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em 10 de novembro de 2020, no estacionamento da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. A disputa pela herança do bicheiro Castor de Andrade entre Iggnácio e Rogério Andrade, sobrinho de Castor, é apontada como motivação do crime. Rogério Andrade, preso em outubro de 2024, é acusado de ser o mandante.

Provas contra os irmãos

Segundo o Ministério Público, Pedro Emanuel fez um voo de helicóptero três dias antes do crime para reconhecimento do trajeto da vítima. O voo, pago em dinheiro (entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil), seguiu a mesma rota de Ilha Grande ao Rio. Imagens do voo foram encontradas na nuvem digital de Pedro. Já Otto Samuel apresentou um atestado falso na Polícia Militar de São Paulo para estar no Rio no dia do crime, e dados de telefone o localizaram na mesma região do carro usado na fuga.

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Investigação e prisões

O delegado Moysés Santana, titular da Delegacia de Homicídios da Capital na época, detalhou que a investigação durou sete dias ininterruptos de análise de imagens, percorrendo cerca de 45 km até identificar o destino dos autores em um condomínio em Campo Grande. Rodrigo Silva das Neves, ex-PM, foi o primeiro preso, na Bahia, e condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão em abril de 2025. Ygor Rodrigues, o Farofa, morreu em confronto em 2022. Márcio Araújo de Souza, segurança de Rogério Andrade, responde em outro processo.

Júri desmembrado

O julgamento dos irmãos foi separado do de Rodrigo Silva das Neves. A defesa passou por mudanças: os irmãos destituíram o advogado Flavio Fernandes, que posteriormente foi reintegrado. Um pedido de incidente de insanidade mental para Pedro foi negado pela Justiça.

Debates finais

Os debates começaram por volta das 10h, com 2h30 para cada parte. A promotora Andréa Fava afirmou que o crime foi "planejado meticulosamente e com atuação de executores profissionais", destacando que não se trata de crime passional, mas de "profissionais da arte de matar, homens que eram policiais militares".

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