O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro inicia nesta quinta-feira (16) o júri popular dos irmãos Pedro Emanuel D'onofre Andrade e Otto Samuel D'onofre Andrade, acusados de participação no homicídio do bicheiro Fernando Iggnácio, ocorrido em 10 de novembro de 2020. Eles respondem por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de emboscada que impossibilitou a defesa da vítima.
Desmembramento do julgamento
O julgamento dos irmãos foi desmembrado do ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves, condenado em abril a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo mesmo crime. A defesa dos irmãos passou por mudanças: eles destituíram o advogado Flavio Fernandes, mas depois o reintegraram ao caso. O advogado também pediu um incidente de insanidade mental para Pedro, negado pela Justiça.
Provas contra os irmãos
Segundo o Ministério Público, a participação de Pedro Emanuel e Otto Samuel foi confirmada por imagens de câmeras de segurança, dados telefônicos e de localização. Pedro Emanuel teria feito um voo de helicóptero no dia 7 de novembro de 2020 para calcular o trajeto de Fernando Iggnácio desde a casa de verão em Ilha Grande até o heliporto no Rio. No celular de Pedro foram encontradas imagens desse voo de reconhecimento. Otto Samuel, ex-PM de São Paulo, apresentou um atestado falso para estar no Rio na data do crime, e a antena de seu telefone coincidia com a localização do carro Fox usado no crime e na fuga para Campo Grande.
O crime
Fernando Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi executado em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes. Ele havia acabado de desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis e foi alvejado ao caminhar até o carro. Os tiros foram de fuzil 556. Os criminosos esperaram por cerca de 4 horas escondidos em uma área de mato alto, usando roupas camufladas típicas de forças especiais da Polícia Militar do Rio.
Mandante preso
O bicheiro Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e rival de Fernando Iggnácio, foi preso em outubro de 2024 acusado de ser o mandante do crime. Ele foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e o STF negou seu pedido de liberdade. Rogério acompanhou audiências por videoconferência e responde a processo separado.



