Inocente preso por engano no Paraná é solto após 53 horas
Inocente preso por engano no Paraná é solto após 53 horas

O marceneiro Felipe Penteado, de 21 anos, morador de Imbituva, no centro do Paraná, foi preso por engano e solto 53 horas depois. A confusão ocorreu porque a polícia confundiu seu nome com o de Wanderson Felipe Lick Penteado, verdadeiro alvo de uma operação contra caça ilegal e tráfico de armas e animais.

Detalhes da prisão

A prisão aconteceu na terça-feira (17), por volta das 5h30, quando policiais invadiram a casa onde Felipe morava com a família. Ele teve o cabelo raspado e foi levado à Casa de Custódia de Ponta Grossa, a cerca de 60 km de Imbituva. Felipe não conhece Wanderson e acredita que o erro se deu pelo sobrenome comum.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, Felipe descreveu a experiência como os piores dias de sua vida: “Estar lá, junto com um monte de criminosos e sem dever nada, junto com um monte de gente sem poder falar nada, quieto, num canto, triste, e sendo inocente! É complicado”.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reconhecimento do erro

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) admitiu o erro em documento ao qual o g1 teve acesso. O mandado de prisão continha os dados pessoais de Felipe, como nome, documentos, nome da mãe e data de nascimento. A corporação justificou que, em uma cidade pequena como Imbituva, era improvável existir um homônimo, mas que as investigações recaíram sobre a pessoa errada. O documento também mostra um print do perfil de redes sociais do verdadeiro alvo e solicita a expedição de novo mandado para Wanderson.

O g1 questionou a PC-PR nesta sexta-feira (19) se o novo mandado foi emitido, mas não obteve resposta.

Indenização e reações

O advogado de Felipe, Gustavo Pupo, afirmou que entrará com pedido de indenização contra o Estado, citando a falta de cautela estatal. “É completamente inadmissível a não realização de mínimas diligências para saber quem realmente é ou não acusado, ainda mais quando se está diante de ações ligadas a organizações criminosas”.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) informou, em nota, que não pode divulgar informações devido ao sigilo do processo. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) declarou que a operação não foi de sua responsabilidade, mas sim da PC-PR. A Polícia Penal não respondeu até a publicação.

Relato do inocente

Felipe contou à RPC que, no momento da invasão, não entendia o que acontecia: “Ouvi o barulho; eles chegaram batendo em porta, batendo em vidro, gritando que a polícia chegou... fiquei nervoso, não sabia o que estava acontecendo”. Ele afirmou nunca ter se envolvido com caça ou armas: “Nunca nem peguei numa arma, nunca saí caçar, nem sei como é que funciona isso”. Apesar do trauma, ele disse que sabia que a situação seria resolvida, mas não esperava que demorasse tanto.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar