Flávio Bolsonaro envia explicações à PF em inquérito sobre calúnia a Lula
Flávio Bolsonaro envia explicações à PF em inquérito

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou nesta terça-feira, 28 de julho, à Polícia Federal (PF) suas explicações por escrito no âmbito do inquérito que investiga supostas calúnias contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento foi protocolado na Superintendência da PF em Brasília, onde o caso tramita.

Contexto da investigação

O inquérito foi instaurado em março deste ano, após representação da Advocacia-Geral da União (AGU), que apontou declarações do senador contra Lula em redes sociais e entrevistas. Segundo a acusação, Flávio Bolsonaro teria imputado falsamente a Lula a prática de crimes relacionados à corrupção, já julgados e arquivados pela Justiça.

As declarações teriam ocorrido entre janeiro e fevereiro de 2026, quando Lula já ocupava a Presidência. Flávio Bolsonaro teria afirmado que Lula era “chefe de uma organização criminosa” e que “deveria estar preso”. A defesa do senador nega que as falas configurem calúnia, alegando que se tratam de críticas políticas baseadas em condenações anteriores – posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Defesa por escrito

No documento de 32 páginas, apresentado pelos advogados, Flávio Bolsonaro sustenta que suas declarações estão amparadas pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão. “O senador jamais ultrapassou os limites do debate político. Suas opiniões são legítimas e não configuram crime”, diz trecho da defesa.

A PF havia solicitado o depoimento pessoal de Flávio, mas a defesa optou pelo formato escrito, alegando que as perguntas já estavam claras nos autos. O inquérito corre sob sigilo e é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Repercussão e próximos passos

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a estratégia de responder por escrito é comum em casos onde a testemunha ou investigado busca evitar exposição. Até o momento, a PF já ouviu quatro testemunhas arroladas pela acusação. O número total de inquéritos em andamento contra parlamentares na Suprema Corte chega a 14, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O presidente Lula, em evento no Palácio do Planalto, evitou comentar o caso. “Não vou alimentar polêmicas”, declarou brevemente a jornalistas. Já a base governista comemorou o avanço da investigação. O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), afirmou: “A Justiça está funcionando. Quem calunia deve responder.”

Histórico de embates

Flávio Bolsonaro e Lula protagonizam uma rivalidade que remonta às eleições de 2022. O senador é um dos principais opositores do governo e já foi alvo de outros inquéritos por fake news e ataques a instituições. Em 2024, ele foi absolvido em uma ação por difamação contra Lula, mas o STF determinou a abertura deste novo inquérito após novas declarações.

A expectativa é que a PF conclua a investigação nos próximos 60 dias e envie o relatório ao STF, que decidirá se há elementos para denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Caso denunciado, Flávio Bolsonaro poderá se tornar réu e enfrentar processo criminal, com pena de detenção de seis meses a dois anos, além de multa.

O senador, em nota, reafirmou sua confiança na Justiça. “Estou tranquilo. Minhas falas são verdadeiras e baseadas em fatos. A perseguição política contra mim não vai prosperar”, declarou.

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