O estudante de engenharia de software Gustavo Douglas Nunes Vasco, de 22 anos, reencontrou o pai, Gilmar Nunes da Silva, de 47 anos, no Acre após cinco anos sem notícias. Morador de Senador Canedo (GO), Gustavo perdeu o contato com o pai em 2021, quando Gilmar viajou para o Acre. O reencontro virtual ocorreu no último dia 20, com a mediação do Ministério Público Estadual do Acre (MP-AC).
O reencontro por videochamada
Em vídeo divulgado pelo MP-AC, servidores registraram o momento em que pai e filho conversam após cinco anos. "Como você está? Está bem? Está trabalhando?", pergunta Gustavo nas imagens. Durante a conversa, a servidora do MP-AC pergunta se Gilmar reconhece o rapaz, e ele responde que acha parecidos. "Acho que já conversei com ele pelo Facebook, se não me engano. Já tem alguns anos. Ele lembra a minha pessoa, talvez um filho. Mas, é uma pessoa legal", diz Gilmar.
A busca incansável do filho
Ao g1, Gustavo contou que sabia que o Acre tinha sido o último paradeiro do pai, mas não tinha ideia de onde ele estaria. Ao buscar informações em uma plataforma de inteligência artificial em maio deste ano, foi orientado a procurar a Polícia Civil de Goiás. Lá, os policiais informaram que Gilmar havia sido abordado por equipe em 2024 no Acre. A partir daí, Gustavo procurou outros órgãos públicos até conseguir contatos no Acre. "Em determinado momento me vi envolvido naquela conversa, depois percebi que, se eu não tomasse a iniciativa [de buscar pelo pai], ninguém faria isso", ressaltou.
Mudanças e a vinda para o Acre
Gustavo viu o pai pela última vez presencialmente em 2020, no início da pandemia de Covid-19. O último contato foi em 2021, quando Gilmar enviou a localização informando que estava no Acre. Depois disso, o celular deixou de funcionar. Segundo o estudante, Gilmar se separou da mãe dele quando ele era criança, se casou novamente e foi morar em Goiânia. Trabalhava no Detran de Goiás, mas começou a apresentar alterações de comportamento durante a pandemia, desenvolvendo transtornos semelhantes à esquizofrenia, sem laudo por não aceitar a doença. "Considero missão cumprida, pois queria muito saber se ele estava vivo. Mantivemos uma conversa e ele quase não lembrou de mim, vi que ainda tem falas desconexas. Agora preciso entender quais são os próximos passos e buscar uma forma de tratamento para ele", pontuou Gustavo. Após o fim do segundo casamento, Gilmar passou a morar na casa dos pais em Goiânia. Antes de desaparecer, viajou para vários estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, retornou a Goiânia e depois veio para o Acre, sem explicar o motivo.
Coincidência levou ao reencontro
Com a confirmação de que o pai ainda estava no Acre, Gustavo buscou contatos de órgãos públicos acreanos e chegou ao MP-AC. "Me responderam muito rápido e acolheram essa história", relembrou. O coordenador do Observatório de Análise Criminal do MP-AC, Aldo Colombo, explicou que o órgão recebeu a ligação e o caso foi direcionado ao Núcleo de Apoio Técnico (NAT). A equipe do observatório cruzou informações da família com registros policiais. A operação de busca contou com uma coincidência: Milquelene Reis, servidora da Ouvidoria, viu a foto de Gilmar e lembrou de vê-lo andando na Rodovia Transacreana. "Verifiquei que a pessoa do processo era a mesma que todos conhecem como andarilho da Transacreana. Os moradores ajudam ele com alimentação, água, às vezes um local para tomar banho", disse.
Reencontro por vídeo e próximos passos
Milquelene levou a equipe do NAT até o local e Gilmar foi encontrado na Vila Manoel Marques. "Os servidores intermediaram nossa conversa e disseram que ele vive como andarilho naquela região, parece que ele é bem querido por lá. Eu nunca fui ao Acre, mas eu e minha família estamos buscando alternativas para trazê-lo de volta a Goiás e melhorar a saúde dele", completou Gustavo. Segundo ele, o principal alívio foi confirmar que o pai estava vivo. Após o contato, Gustavo avisou os avós e outros familiares, que comemoraram. "Foi muito bom vê-lo bem, embora ainda apresente sinais de um transtorno mental que nunca chegou a ser tratado. Era um dos meus objetivos, pois minha avó sempre me incentivou a procurá-lo", concluiu.



