O delegado Marcos Henrique Montalverne, responsável pela investigação do feminicídio da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, revelou que o principal suspeito, Gustavo Dutra Lima, de 25 anos, possuía um histórico de comportamento abusivo e possessivo com mulheres com quem se relacionava. A declaração foi feita durante entrevista à TV Integração. “Letícia foi mais uma delas”, afirmou o delegado.
Relacionamento conturbado e testemunhas
Segundo Montalverne, o casal mantinha um relacionamento marcado por idas e vindas. “Já foram entrevistadas várias mulheres, amigas da vítima, que relataram que ela dizia estar em um relacionamento abusivo, marcado por ciúmes e comportamento controlador”, completou. Gustavo segue preso no presídio de São João del Rei. A defesa, representada pelos advogados Marcelo José Cerqueira Chaves e Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves, informou em nota que não se manifestará neste momento.
Dinâmica do crime
As investigações da Polícia Civil indicam que Letícia e Gustavo chegaram juntos ao apartamento dela na noite de sexta-feira (26), em Barbacena. No sábado (27), imagens de câmeras de monitoramento e relatos de um porteiro mostram o suspeito deixando o local sozinho, levando o carro e outros pertences da vítima. Gustavo foi localizado e abordado pela Polícia Militar em Bom Jardim de Minas, a 170 km de Barbacena. Em depoimento, ele confirmou que esteve com Letícia na sexta e saiu no sábado pela manhã, mas negou o crime. “Estamos fazendo o levantamento de câmeras de segurança e dos passos do autor após o crime. Entrevistamos testemunhas próximas. Já temos um arcabouço muito consistente que nos permite inferir a autoria por parte do investigado”, disse o delegado.
Elementos que reforçam a autoria
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou elementos que fortalecem os indícios contra Gustavo. Entre eles, uma lesão corto-contusa na palma da mão direita do suspeito, detectada em exame de corpo de delito. Segundo o MP, há indícios de que o ferimento possa ter ocorrido durante a sequência de golpes de faca contra a vítima. Esse foi um dos fundamentos para pedir a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Além disso, Gustavo inicialmente admitiu ter jantado e passado a noite no apartamento, mas depois negou a autoria e optou por permanecer em silêncio. No momento da prisão, ele estava de posse de objetos da vítima, incluindo um iPhone 12, um iPad, cartões bancários e uma bolsa com documentos. O celular de Letícia foi encontrado dentro de um dos tênis usados pelo suspeito.
Investigação em andamento
A Polícia Civil continua apurando o caso, reunindo provas para concluir o inquérito e identificar a motivação. O corpo de Letícia foi encontrado pelo ex-marido, e a perícia confirmou que ela foi morta com mais de 100 facadas. O caso segue sob investigação.



