Ex-prefeito de Delta vira réu por se apropriar de ar-condicionado público
Ex-prefeito de Delta vira réu por apropriação de ar-condicionado

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) aceitou, por unanimidade, a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o ex-prefeito de Delta, Marcos Roberto Estevam, conhecido como "Marquim Advogado". Com a decisão da 3ª Câmara Criminal, comunicada na última sexta-feira (26), ele se torna réu em ação penal por suposta apropriação de um aparelho de ar-condicionado pertencente ao patrimônio da prefeitura.

Denúncia acolhida em segunda instância

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária Criminal, de Belo Horizonte, órgão do MPMG responsável por investigar e processar autoridades com foro privilegiado. Marcos foi denunciado com base no artigo 1º, inciso I, do Decreto-Lei nº 201/1967, que tipifica crimes de responsabilidade de prefeitos, incluindo a apropriação ou desvio de bens públicos. O MP informou que o Tribunal reconheceu indícios suficientes para prosseguir com a ação penal. Ainda não há data para julgamento.

Ar-condicionado lacrado na casa do ex-prefeito

Segundo o MPMG, o aparelho de ar-condicionado, comprado com recursos públicos e destinado ao Centro de Cultura de Delta, no Triângulo Mineiro, foi encontrado lacrado e na embalagem original na residência do então prefeito durante a operação 'Límpidus', da Polícia Civil. A investigação não localizou registros administrativos que justificassem a retirada do equipamento da administração pública ou sua guarda na casa do chefe do Executivo. Também não houve comprovação de que o aparelho seria instalado em outro prédio público, como alegado pelo investigado.

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Operação resultou em prisão em flagrante

Marcos Roberto Estevam foi preso em flagrante em 16 de junho de 2025, durante a operação 'Límpidus', que cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em Delta e em Igarapava (SP). A Polícia Civil informou que a investigação é um desdobramento das operações Cisvalegran I e II, que apuravam crimes contra a administração pública, como fraudes em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O delegado Eduardo Garcia afirmou que a presença de um bem público na casa de um agente público configura, em tese, o crime de peculato. Após audiência de custódia, o ex-prefeito foi liberado mediante fiança e medidas cautelares.

Defesa alega mal-entendido

Na época da operação, Marcos Roberto Estevam publicou nota nas redes sociais da Prefeitura de Delta afirmando que a situação foi um mal-entendido. "Durante a abordagem (da polícia) houve um mal-entendido envolvendo um ar-condicionado, que eu transportava para uma academia municipal. A situação foi equivocadamente interpretada como crime de peculato. Quero deixar claro que jamais cometi tal ato, minha conduta sempre foi guiada pela transparência, ética e respeito à população", diz trecho da nota. O g1 procurou o ex-prefeito para comentar a decisão do TJMG, mas não obteve resposta até a última atualização.

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