Ex-diretora e ex-coordenador viram réus por racismo e homofobia em Goiás
Ex-diretora e ex-coordenador viram réus por racismo e homofobia

A Justiça de Goiás aceitou a denúncia do Ministério Público contra a ex-diretora e o ex-coordenador do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, localizado em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Ambos se tornaram réus por crimes supostamente cometidos contra servidores da unidade escolar. A decisão, assinada pelo juiz Gustavo Costa Borges, da 2ª Vara Criminal de Valparaíso de Goiás, foi proferida no dia 8 de junho. No documento, o magistrado afirmou que a denúncia descreve condutas penalmente típicas e atende aos requisitos legais para a abertura da ação penal.

Defesa nega acusações

Em contato com o g1, Priscilla Gomes Guirra negou as acusações e declarou que “nunca ofendeu alguém dentro ou fora do colégio”. A ex-diretora também afirmou que atuou por mais de 20 anos na unidade escolar e que seus projetos eram voltados para “acolhida, diversidade e união”. Segundo ela, o ambiente na escola “sempre foi tranquilo” e as denúncias surgiram uma semana antes da eleição para a direção da unidade. Priscilla espera que testemunhas, imagens de câmeras e outros elementos sejam analisados pela Justiça durante o processo. O g1 não conseguiu localizar a defesa do ex-coordenador Benício Ribeiro Júnior até a última atualização da reportagem.

Expectativa da defesa das vítimas

O advogado das vítimas, Suenilson Saulnier, afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade. “Recebemos com tranquilidade e naturalidade a aceitação da denúncia, aguardando que após o devido processo legal, em se provando a culpa dos réus, estes sejam condenados às penas máximas previstas”, declarou. Conforme a decisão, a ex-diretora e o ex-coordenador ainda não apresentaram defesa constituída. O juiz determinou que ambos sejam citados para responder à acusação no prazo de 10 dias e estabeleceu que, caso não constituam advogado, a Defensoria Pública deverá atuar na defesa dos acusados.

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Denúncias começaram em 2023

O caso veio à tona em março de 2023, quando funcionários denunciaram episódios de racismo, homofobia, injúria e humilhações dentro da escola estadual. Na época, vítimas relataram à Polícia Civil terem sido chamadas de “negra imunda”, “negra nojenta” e “viado nojento”. Segundo as denúncias, os episódios teriam ocorrido dentro do ambiente de trabalho e na presença de outros servidores. A investigação apontou ainda supostas práticas de assédio moral e humilhações contra funcionários da unidade escolar. Um dos relatos indicava que uma servidora teria sido acusada injustamente de furto. Outra vítima afirmou ter sido constrangida pela gestora durante o expediente. De acordo com a Polícia Civil, pelo menos quatro servidores denunciaram os fatos, entre eles funcionários da limpeza, um professor e uma ex-coordenadora da unidade escolar.

Decisão anterior da Justiça

Em uma decisão de novembro de 2023, o juiz Gustavo Costa Borges já havia autorizado o pedido da Polícia Civil para que a Secretaria Estadual de Educação enviasse documentos relacionados ao procedimento administrativo aberto contra os investigados. Na ocasião, a Polícia Civil informou que investigava crimes de injúria, difamação e discriminação racial supostamente praticados contra servidores da escola. Ao g1, a Secretaria de Estado da Educação informou que os dois servidores já foram exonerados da rede estadual. Segundo a pasta, o ex-coordenador atuava em contrato temporário, enquanto Priscilla Gomes Guirra era servidora efetiva e deixou o cargo ainda em 2023.

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