Diocese de Rio Branco denuncia atraso de R$20 milhões e recebe apenas R$3 milhões
Diocese denuncia atraso de R$20 mi e recebe apenas R$3 mi

A Diocese de Rio Branco denunciou atraso no repasse de mais de R$ 20 milhões por parte do governo do Acre e da Secretaria de Saúde (Sesacre). Nesta terça-feira (23), a diocese confirmou que recebeu aproximadamente R$ 3 milhões, valor insuficiente para cobrir a dívida acumulada e manter as obras sociais em funcionamento. O bispo dom Joaquín Pertiñez fez a declaração em coletiva de imprensa.

Denúncia e pagamento parcial

A diocese tornou público o atraso nos repasses referentes a convênios com o estado para atendimento de pacientes no Hospital Santa Juliana e na Casa de Acolhida Souza Araújo. O bispo afirmou que a manifestação pública foi determinante para o pagamento parcial. “Infelizmente, temos que provocar com essa carta, essa manifestação, esse repasse que não sabemos quando teria acontecido e inviabiliza todos nossos serviços e nossos compromissos, de fornecedores, funcionários, reformas, de tudo que o hospital precisa a cada dia fazer”, detalhou dom Joaquín.

O convênio permite o atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a Casa Souza Araújo abriga 30 pessoas com sequelas da hanseníase, afastadas de suas famílias em décadas passadas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto financeiro e empréstimos

Dom Joaquín ressaltou que a falta de recursos obriga a instituição a recorrer a empréstimos. “Temos que pedir empréstimos para poder manter, sabendo que temos R$ 20 milhões para receber”, disse. As obras sociais administradas pela diocese incluem o Hospital Santa Juliana, a Casa de Acolhida Souza Araújo e a Casa Terapêutica Arco-Íris. O bispo explicou que a instituição passou recentemente por auditoria para renovação do certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e não recebeu ressalvas. “Está tudo certo, tudo aprovado. Não vem nenhuma ressalva por parte da auditoria, mas o que falta é o financeiro, que temos que fazer milagres para sobreviver”, acrescentou.

Posição da Sesacre

Em nota divulgada na segunda-feira (22), a Sesacre afirmou “seu mais absoluto respeito e compromisso social e financeiro com as Obras Sociais da Diocese de Rio Branco”. A pasta alegou que os valores citados se referem a processos administrativos de naturezas distintas, com competências em tramitação regular e processos que dependem da conclusão de procedimentos legais. A Sesacre destacou que, somente em 2026, o Hospital Santa Juliana recebeu mais de R$ 50 milhões em repasses.

Dificuldades na Casa de Acolhida

O administrador do Hospital Santa Juliana, Marcos Paulo, afirmou que os atrasos afetam a compra de insumos. “Estamos tendo dificuldade para aquisição de insumos. Mas, com esse repasse a gente já está em contato com o fornecedor para que possamos tentar minimizar esse impacto”, explicou. A situação mais crítica é na Casa de Acolhida Souza Araújo, cuja principal fonte de recursos é o convênio com o Estado, com três meses de atraso. “Temos uma pendência de três meses do valor de R$ 249 mil. Então, compromete muito, principalmente por conta dos trabalhadores que estão lá e que precisam receber seus salários”, relatou. Cerca de 80% dos serviços do hospital são destinados a usuários do SUS.

Histórico de atrasos

Em 2021, no auge da pandemia, a diocese já havia encerrado tratativas com a Sesacre pelo convênio da Casa de Acolhida Souza Araújo, que teve energia cortada por falta de pagamento. Na ocasião, a dívida chegou a R$ 1 milhão. Em 2019, o então bispo Joaquín Pertíñez suspendeu atendimentos pelo SUS no Hospital Santa Juliana por falta de repasse, com dívida de R$ 4 milhões. Em 2018, médicos atenderam apenas urgências e emergências devido a atrasos salariais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar